Contei-te o meu segredo
Senti-me calma
Libertámo-nos um ao outro
As palavras já não são ditas
E o silêncio leva-me para longe
Enquanto conduzia vi a minha vida a passar
No meio dos eucaliptos, dos pinheiros e das montanhas
Voltei à minha casa
Fiquei contente quando olhei para as paredes que me protegem
Vou ficar comigo.
domingo, 23 de março de 2008
quarta-feira, 19 de março de 2008
terça-feira, 18 de março de 2008
Sensações XVII
Hoje fui muito solicitada e vi-me rodeada de pessoas nervosas. Houve um momento em que imaginei que fazia como algumas crianças.
Tapo os ouvidos com os dois dedos indicadores e começo a cantar la la la la la.
Tapo os ouvidos com os dois dedos indicadores e começo a cantar la la la la la.
segunda-feira, 17 de março de 2008
Conclusão IX
Há dias em que eu me surpreendo com as minhas próprias atitudes. Só posso concluir que não me conheço.
sábado, 15 de março de 2008
Sensações XVI
Desde que te conheci
Sinto-me a envelhecer
Irrita-me a inércia
Mas apetece-me parar
E ficar assim...
Sinto-me a envelhecer
Irrita-me a inércia
Mas apetece-me parar
E ficar assim...
sexta-feira, 14 de março de 2008
quinta-feira, 13 de março de 2008
O presente genial
Depois do furto do meu auto-rádio, voltei ao velho, com rádio e cassetes.
Normalmente até costumo ouvir rádio nas minhas viagens do dia-a-dia.
Mas recebi um presente. Um bonito presente. Um mp3 e uma cassete milagrosa onde se liga o primeiro.
Hoje, do Taguspark para Lisboa, o meu mp3 só escolheu as musicas que eu queria mesmo ouvir.
Será que ele me conhece assim tão bem?
Normalmente até costumo ouvir rádio nas minhas viagens do dia-a-dia.
Mas recebi um presente. Um bonito presente. Um mp3 e uma cassete milagrosa onde se liga o primeiro.
Hoje, do Taguspark para Lisboa, o meu mp3 só escolheu as musicas que eu queria mesmo ouvir.
Será que ele me conhece assim tão bem?
quarta-feira, 12 de março de 2008
Puro egoísmo
Depois de ler ontem uma parte do livro de Camus, compreendi que tenho sido egoísta. Sim, só penso em mim quando o recordo, quando sinto saudades e quando as lágrimas saem. Sinto pena de mim por já não o ter.
Quando me lembro dele, talvez me sinta melhor e seja uma forma de comprar um perdão. Os deveres que eu não cumpri…
E sim, a memória!
Tenho raiva da minha fraca memória que me faz esquecer pessoas que se cruzaram comigo e tantos momentos da minha vida.
Sim, tenho medo de o esquecer…
“Não amaremos talvez insuficientemente a vida? Já notou que só a morte desperta os nossos sentimentos? Como amamos os amigos que acabam de deixar-nos, não acha?!
Como admiramos os nossos mestres que já não falam, com a boca cheia de terra! A homenagem surge, então, muito naturalmente, essa mesma homenagem que talvez eles tivessem esperado de nós durante a vida inteira. Mas sabe porque somos sempre mais justos e generosos para com os mortos? A razão é simples! Para com eles, já não há deveres. Deixam-nos livres, podemos dispor do nosso tempo, arrumar a homenagem entre o copo de água e uma gentil amante, nas horas vagas, em suma.
Se algo nos impusessem, seria a memória, e nós temos a memória curta. Não, é o morto de fresco que nós amamos nos nossos amigos, o morto doloroso, a nossa emoção, enfim, nós próprios.”
A queda - Albert Camus
Quando me lembro dele, talvez me sinta melhor e seja uma forma de comprar um perdão. Os deveres que eu não cumpri…
E sim, a memória!
Tenho raiva da minha fraca memória que me faz esquecer pessoas que se cruzaram comigo e tantos momentos da minha vida.
Sim, tenho medo de o esquecer…
“Não amaremos talvez insuficientemente a vida? Já notou que só a morte desperta os nossos sentimentos? Como amamos os amigos que acabam de deixar-nos, não acha?!
Como admiramos os nossos mestres que já não falam, com a boca cheia de terra! A homenagem surge, então, muito naturalmente, essa mesma homenagem que talvez eles tivessem esperado de nós durante a vida inteira. Mas sabe porque somos sempre mais justos e generosos para com os mortos? A razão é simples! Para com eles, já não há deveres. Deixam-nos livres, podemos dispor do nosso tempo, arrumar a homenagem entre o copo de água e uma gentil amante, nas horas vagas, em suma.
Se algo nos impusessem, seria a memória, e nós temos a memória curta. Não, é o morto de fresco que nós amamos nos nossos amigos, o morto doloroso, a nossa emoção, enfim, nós próprios.”
A queda - Albert Camus
terça-feira, 11 de março de 2008
Nós e Ele
Lembras-te quando ouvíamos aquele disco dele, da música do assobio e marchávamos os três à volta da mesa da sala?
Lembras-te quando éramos pequenas, primeiro eu, depois tu e ele nos sentava ao colo dele e nos deixava segurar o volante da carrinha na Serra da Boa Viagem?
Lembras-te quando ele jogava à bola connosco e cantava a música do Barrigana?
Lembras-te quando ele gostava de ouvir aquela cassete do meu programa de rádio "60 em Marcha" na Rádio Clube Foz do Mondego, na altura das rádios piratas?
Lembras-te da casa abandonada nas Abadias a que ele chamava Casa dos ladrões e ia para lá contigo como se fosse uma grande aventura?
Lembras-te de jogarmos com ele o jogo do belho naquele sítio da Serra?
Lembras-te dos piqueniques que fizemos e da sesta que ele dormia na rede?
Lembras-te como ele ficava alegre e chorava a rir quando bebia mais um bocadinho?
Lembras-te quando ele estava triste ou preocupado com os seus problemas e pessimismos e ficava sentado no sofá com os olhos fechados?
Lembras-te como ele embirrava com o cheiro a lulas?
Lembras-te quando ele nos mandava calar sempre que falávamos quando ele estava a ver o telejornal?
Lembras-te de todos os postais de aniversário e do dia do Pai que lhe escrevemos e lhe agradecíamos sempre tudo o que ele nos tinha dado?
Lembras-te como ele gostava das músicas "Enola Gay" e "Go west"?
Lembras-te como ele chegava a casa cansado na véspera de Natal?
Lembras-te como ele se sentiu perdido e sozinho?
Lembras-te como às vezes era difícil para nós estarmos com ele?
Lembras-te daqueles mails com power point que nos enviou?
Lembras-te como ele nos magoou e nós a ele?
Lembras-te da última tarde que passámos com ele?
Lembras-te do último mail que nos escreveu?
Lembras-te que apesar de tudo nos amámos muito?
Lembras-te quando éramos pequenas, primeiro eu, depois tu e ele nos sentava ao colo dele e nos deixava segurar o volante da carrinha na Serra da Boa Viagem?
Lembras-te quando ele jogava à bola connosco e cantava a música do Barrigana?
Lembras-te quando ele gostava de ouvir aquela cassete do meu programa de rádio "60 em Marcha" na Rádio Clube Foz do Mondego, na altura das rádios piratas?
Lembras-te da casa abandonada nas Abadias a que ele chamava Casa dos ladrões e ia para lá contigo como se fosse uma grande aventura?
Lembras-te de jogarmos com ele o jogo do belho naquele sítio da Serra?
Lembras-te dos piqueniques que fizemos e da sesta que ele dormia na rede?
Lembras-te como ele ficava alegre e chorava a rir quando bebia mais um bocadinho?
Lembras-te quando ele estava triste ou preocupado com os seus problemas e pessimismos e ficava sentado no sofá com os olhos fechados?
Lembras-te como ele embirrava com o cheiro a lulas?
Lembras-te quando ele nos mandava calar sempre que falávamos quando ele estava a ver o telejornal?
Lembras-te de todos os postais de aniversário e do dia do Pai que lhe escrevemos e lhe agradecíamos sempre tudo o que ele nos tinha dado?
Lembras-te como ele gostava das músicas "Enola Gay" e "Go west"?
Lembras-te como ele chegava a casa cansado na véspera de Natal?
Lembras-te como ele se sentiu perdido e sozinho?
Lembras-te como às vezes era difícil para nós estarmos com ele?
Lembras-te daqueles mails com power point que nos enviou?
Lembras-te como ele nos magoou e nós a ele?
Lembras-te da última tarde que passámos com ele?
Lembras-te do último mail que nos escreveu?
Lembras-te que apesar de tudo nos amámos muito?
segunda-feira, 10 de março de 2008
Tu julgas...
Acho piada às pessoas que fazem afirmações, como se fossem verdades absolutas, sobre alguém que na realidade não conhecem.
domingo, 9 de março de 2008
sexta-feira, 7 de março de 2008
Não dizes?
- Porque andas armado em frio e já não dizes que gostas de mim?
- Porque andas a ficar muito convencida. E não quero que penses que dependo muito de ti, que és indispensável na minha vida, etc.
- Então, mas ainda gostas de mim?
-
- Está bem. Olha, hoje não me ligues. Vou sair.
- Está bem. Não penses que fico preocupado.
- Não pensei nada.
- Diverte-te.
- Tenho de ir. Até amanhã.
- Vais sair com quem?
- Isso não te interessa. Ou interessa?
- Não. Perguntei só por perguntar. Até amanhã.
- Porque andas a ficar muito convencida. E não quero que penses que dependo muito de ti, que és indispensável na minha vida, etc.
- Então, mas ainda gostas de mim?
-
- Está bem. Olha, hoje não me ligues. Vou sair.
- Está bem. Não penses que fico preocupado.
- Não pensei nada.
- Diverte-te.
- Tenho de ir. Até amanhã.
- Vais sair com quem?
- Isso não te interessa. Ou interessa?
- Não. Perguntei só por perguntar. Até amanhã.
quinta-feira, 6 de março de 2008
quarta-feira, 5 de março de 2008
À escolha
- O que preferes? Um tabefe, uma galheta, uma belinha ou um calduço?
- Uma belinha. Se for daquelas de chocolate, claro.
- Uma belinha. Se for daquelas de chocolate, claro.
terça-feira, 4 de março de 2008
segunda-feira, 3 de março de 2008
Muda-se sempre para melhor
Tento imaginar o que se passa na tua cabeça e não consigo.
Suponho que tens muitos pensamentos rápidos e encadeados que não sou capaz de acompanhar.
Parece que cresceste depressa e aprendeste muito com o teu amor.
Observas os outros e ouves bem tudo o que te dizem.
Leste muitos livros e tens sede de saber sempre mais.
Pareces sempre bem disposto e sem grandes preocupações.
A música faz parte de ti e a história de muitas delas também.
Lembras-te de todos os momentos exactos que são gravados na tua memória ao longo dos anos.
És capaz de fazer longas descrições e pormenorizadas de cada minuto.
E eu sinto-me pequena ao pé de ti. Mas fico feliz por me ter cruzado contigo e confio em ti, as minhas palavras inseguras e perdidas.
Fazes-me pensar, duvidar, escrever e acreditar.
Respondes-me com frases bem fundamentadas e optimismo.
Eu respiro fundo e sinto-me bem.
Suponho que tens muitos pensamentos rápidos e encadeados que não sou capaz de acompanhar.
Parece que cresceste depressa e aprendeste muito com o teu amor.
Observas os outros e ouves bem tudo o que te dizem.
Leste muitos livros e tens sede de saber sempre mais.
Pareces sempre bem disposto e sem grandes preocupações.
A música faz parte de ti e a história de muitas delas também.
Lembras-te de todos os momentos exactos que são gravados na tua memória ao longo dos anos.
És capaz de fazer longas descrições e pormenorizadas de cada minuto.
E eu sinto-me pequena ao pé de ti. Mas fico feliz por me ter cruzado contigo e confio em ti, as minhas palavras inseguras e perdidas.
Fazes-me pensar, duvidar, escrever e acreditar.
Respondes-me com frases bem fundamentadas e optimismo.
Eu respiro fundo e sinto-me bem.
domingo, 2 de março de 2008
Canção pimba do whiskey
Palavras ocas
Inventas um tema
Mandas umas bocas
Fazes um poema
É o Whiskey, é o Gin
És o melhor
A dar um conselho
Sabes de cor
Olha pró espelho
É o Whiskey, é o Gin
Inventas um tema
Mandas umas bocas
Fazes um poema
É o Whiskey, é o Gin
És o melhor
A dar um conselho
Sabes de cor
Olha pró espelho
É o Whiskey, é o Gin
sábado, 1 de março de 2008
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
Surpresa
Hoje dizia a um amigo, que à medida que envelhecemos, os dias são quase iguais, a não ser que estejamos atentos a alguns pormenores.
Há alguns anos atrás, todos os dias eram uma novidade.
Talvez por hoje ter pensado neste assunto, fui surpreendida.
Há alguns anos atrás, todos os dias eram uma novidade.
Talvez por hoje ter pensado neste assunto, fui surpreendida.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Já lá vem o João Pestana
A mãe está poucas horas com o filho. Ele cresce na escola, sem ela.
Ela vai buscá-lo, faz-lhe perguntas e tenta saber quem ele é.
Eles chegam a casa e a mãe dá-lhe o banho e o jantar.
Finalmente chega a hora mágica, em que a mãe e o filho são duas crianças.
A fantasia entra no quarto. As palavras e as canções também. Sonham juntos.
Vêm os mimos, cócegas e os segredos.
O tom de voz a murmurar.
A noite e os bons sonhos vão chegar.
- Gosto muito, muito, muito de ti.
Ela vai buscá-lo, faz-lhe perguntas e tenta saber quem ele é.
Eles chegam a casa e a mãe dá-lhe o banho e o jantar.
Finalmente chega a hora mágica, em que a mãe e o filho são duas crianças.
A fantasia entra no quarto. As palavras e as canções também. Sonham juntos.
Vêm os mimos, cócegas e os segredos.
O tom de voz a murmurar.
A noite e os bons sonhos vão chegar.
- Gosto muito, muito, muito de ti.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Conclusão VIII
Desde pequena, observo que a maioria dos homens consegue afirmar com convicção que certa história ou informação nunca lhes foi contada, quando as mulheres já a repetiram várias vezes.
Penso que não é do queijo. Alguns deles nem apreciam.
Decididamente, acho que os homens não ligam ao que as mulheres lhes dizem.
Penso que não é do queijo. Alguns deles nem apreciam.
Decididamente, acho que os homens não ligam ao que as mulheres lhes dizem.
domingo, 24 de fevereiro de 2008
Corpos cansados
Uma mulher com quarenta e tal anos de idade e com excesso de peso entrou no comboio e sentou-se à minha frente. Estava cansada e respirava com dificuldade.
Senti um forte cheiro a vinho. Passados alguns minutos levantou-se, disse que ia ao bar e pediu para eu olhar pelo saco dela.
Quando voltou, sentou-se e atendeu o telemóvel que tocou.
Os seus olhos ainda ficaram mais tristes e disse:
- Desculpa, desculpa, mas não consigo.
Desligou e começou a chorar.
O telemóvel tocou mais algumas vezes e ela não atendeu.
Estava com os olhos inchados. Fechou-os e adormeceu.
Fiquei a pensar que ela não era a única.
Há demasiadas pessoas que não conseguem...
Senti um forte cheiro a vinho. Passados alguns minutos levantou-se, disse que ia ao bar e pediu para eu olhar pelo saco dela.
Quando voltou, sentou-se e atendeu o telemóvel que tocou.
Os seus olhos ainda ficaram mais tristes e disse:
- Desculpa, desculpa, mas não consigo.
Desligou e começou a chorar.
O telemóvel tocou mais algumas vezes e ela não atendeu.
Estava com os olhos inchados. Fechou-os e adormeceu.
Fiquei a pensar que ela não era a única.
Há demasiadas pessoas que não conseguem...
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
Conclusão VII
A comprar bilhetes para concertos com tanta antecedência, acho que vou fazer um testamento e nomear os possíveis herdeiros.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
É urgente fugir das urgências
- Posso ir lá fora um bocadinho?
- Claro que não. Não pode sair daqui enquanto a médica não lhe der alta.
- Alta? Mas eu estou internada?
- Para todos os efeitos está. Tem de esperar pela médica e pelo resultado dos exames.
- Sim, mas eu ia só lá fora e voltava.
- Fique deitadinha, quietinha e sossegadinha.
Com tantos diminutivos, ela ainda se sentiu mais presa e a sufocar.
Deitada olhava para cima e lia: oxigénio, vácuo e ar respirável.
Pois era mesmo isso que eu precisava. De ir lá fora respirar ar respirável, talvez com alguma poluição, mas sempre era melhor que estar aqui a olhar para estas paredes brancas, os ponteiros daquele relógio branco que parecem que não se mexem e todos estes aparelhos que me rodeiam. Lá está a enfermeira a olhar para mim pelo canto do olho. Está ali no computador, a carregar no rato. Aposto que está a jogar o solitário.
Eu quero é fugir.
- Posso ir à casa de banho?
- Mas sente-se bem para se levantar?
- Sim, sinto. Onde é a casa de banho?
- Eu levo-a lá. É aqui.
- Obrigada.
Finalmente, esta é a minha oportunidade para pensar numa fuga.
O que é isto? A porta não tranca? Porra, eles pensam em tudo.
Assim nem posso estar à vontade. Pode entrar aqui alguém.
Vou espreitar para ver se a enfermeira está lá fora.
Pois, lá está ela com o seu rabo grande.
Vou esperar mais um bocado.
Ah, estou a ouvir vozes. Vou espreitar outra vez.
A porta abriu-se.
- Desculpe. Não sabia que estava ocupada.
- Pois, estava. A porta não fecha.
- A menina já estava de saída. Venha lá comigo.
Lá vou eu outra vez. E a médica nunca mais chega.
E se ela disser que eu tenho de ficar aqui? Não posso. Tenho tantas coisas para fazer.
É mesmo impossível. Não posso.
- Claro que não. Não pode sair daqui enquanto a médica não lhe der alta.
- Alta? Mas eu estou internada?
- Para todos os efeitos está. Tem de esperar pela médica e pelo resultado dos exames.
- Sim, mas eu ia só lá fora e voltava.
- Fique deitadinha, quietinha e sossegadinha.
Com tantos diminutivos, ela ainda se sentiu mais presa e a sufocar.
Deitada olhava para cima e lia: oxigénio, vácuo e ar respirável.
Pois era mesmo isso que eu precisava. De ir lá fora respirar ar respirável, talvez com alguma poluição, mas sempre era melhor que estar aqui a olhar para estas paredes brancas, os ponteiros daquele relógio branco que parecem que não se mexem e todos estes aparelhos que me rodeiam. Lá está a enfermeira a olhar para mim pelo canto do olho. Está ali no computador, a carregar no rato. Aposto que está a jogar o solitário.
Eu quero é fugir.
- Posso ir à casa de banho?
- Mas sente-se bem para se levantar?
- Sim, sinto. Onde é a casa de banho?
- Eu levo-a lá. É aqui.
- Obrigada.
Finalmente, esta é a minha oportunidade para pensar numa fuga.
O que é isto? A porta não tranca? Porra, eles pensam em tudo.
Assim nem posso estar à vontade. Pode entrar aqui alguém.
Vou espreitar para ver se a enfermeira está lá fora.
Pois, lá está ela com o seu rabo grande.
Vou esperar mais um bocado.
Ah, estou a ouvir vozes. Vou espreitar outra vez.
A porta abriu-se.
- Desculpe. Não sabia que estava ocupada.
- Pois, estava. A porta não fecha.
- A menina já estava de saída. Venha lá comigo.
Lá vou eu outra vez. E a médica nunca mais chega.
E se ela disser que eu tenho de ficar aqui? Não posso. Tenho tantas coisas para fazer.
É mesmo impossível. Não posso.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
Conclusão VI
- Não te vás embora assim.
- Porquê?
- Porque tenho a certeza que o destino nos juntou. Tantas coincidências...
Isto não aconteceu por acaso. Não reparaste nos sinais?
- Sim, claro que reparei. Quando vinha para aqui parei em todos os vermelhos.
- Porquê?
- Porque tenho a certeza que o destino nos juntou. Tantas coincidências...
Isto não aconteceu por acaso. Não reparaste nos sinais?
- Sim, claro que reparei. Quando vinha para aqui parei em todos os vermelhos.
sábado, 16 de fevereiro de 2008
Para ti
Eras um caso especial e tens um lugar secreto no meu coração...
Ofereceste-me este album.
Hoje vou lembrar-te com:
Joni Mitchell - My Secret Place
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