terça-feira, 16 de setembro de 2008
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
the turn we took
- O que sentes por mim?
- Queres que te diga a verdade?
- Sim, claro.
- És-me indiferente.
- Não sentes nada por mim?
- És simpático. Não gosto de ti nem desgosto.
- Só isso?
- Sim.
- É duro ouvir isso. Parecia que gostavas de mim.
- Mas porquê? Estás apaixonado por mim?
- Não sei. Talvez…
- Eu avisei-te para não o fazeres.
- Isso é injusto. Quereres impedir-me de gostar de ti. Isso pode acontecer naturalmente.
- Mas eu não quero.
- Não queres o quê?
- Que te apaixones por mim. Não há espaço na minha vida para outra pessoa.
- Tu pareces um gajo. Estás fria. Tu não és assim. Porque estás a representar um papel que não é o teu?
- Queres que te diga a verdade?
- Sim, claro.
- És-me indiferente.
- Não sentes nada por mim?
- És simpático. Não gosto de ti nem desgosto.
- Só isso?
- Sim.
- É duro ouvir isso. Parecia que gostavas de mim.
- Mas porquê? Estás apaixonado por mim?
- Não sei. Talvez…
- Eu avisei-te para não o fazeres.
- Isso é injusto. Quereres impedir-me de gostar de ti. Isso pode acontecer naturalmente.
- Mas eu não quero.
- Não queres o quê?
- Que te apaixones por mim. Não há espaço na minha vida para outra pessoa.
- Tu pareces um gajo. Estás fria. Tu não és assim. Porque estás a representar um papel que não é o teu?
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Estado de hibernação
Apetece-me ficar nesta letargia, sem esperar nada e sem nada querer.
Não sei por quanto tempo.
Vou ler aqueles que sabem escrever.
Vou ler as viagens e os pensamentos.
Vou ler os sonhos de tantos homens.
Vou ouvir a música dos que cantam e acreditam no amor.
Vou ouvir a música melancólica.
E vou adormecer, até que um dia decida novamente despertar.
Ou não.
Não sei por quanto tempo.
Vou ler aqueles que sabem escrever.
Vou ler as viagens e os pensamentos.
Vou ler os sonhos de tantos homens.
Vou ouvir a música dos que cantam e acreditam no amor.
Vou ouvir a música melancólica.
E vou adormecer, até que um dia decida novamente despertar.
Ou não.
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Imperturbável
Deixei de o ver. Imagino o que faz. Deve continuar solitário. Olha para as fotografias do passado e não pensa no futuro. De certa forma, acha que a vida já não tem qualquer interesse.
Os dias passam vagarosamente e não se sente mal nem bem.
Dorme muito mas não sonha.
Hoje quando acordou, depois de tomar o pequeno-almoço e o café, fumou um cigarro.
Com o primeiro cigarro matinal, pensa em milhares de pormenores e momentos que já viveu. Quando apaga o cigarro, todas essas memórias são esquecidas.
A partir daí tem uma certeza. Que o dia de hoje vai ser exactamente igual ao de ontem.
Os dias passam vagarosamente e não se sente mal nem bem.
Dorme muito mas não sonha.
Hoje quando acordou, depois de tomar o pequeno-almoço e o café, fumou um cigarro.
Com o primeiro cigarro matinal, pensa em milhares de pormenores e momentos que já viveu. Quando apaga o cigarro, todas essas memórias são esquecidas.
A partir daí tem uma certeza. Que o dia de hoje vai ser exactamente igual ao de ontem.
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Conclusão XIV
Quando faço uma viagem de comboio, se decido ir ao wc, verifico que há sempre uma grande turbulência naquele exacto momento.
domingo, 7 de setembro de 2008
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Gostava...
Quando vou aquele super-mercado está lá sempre o mesmo homem sentado no chão à entrada.
Uma das pernas dele tem a grossura do meu braço. Ele puxa as calças dessa perna para as pessoas verem. E fica ali o dia todo a pedir, mas em silêncio. Se alguém lhe dá comida ou uma moeda ele agradece.
Já o vejo ali há muito tempo e desde o início comecei a nutrir uma simpatia por ele.
Ele já conhece a minha cara e também acho que gosta de mim.
A ultima vez que fui lá, saí carregada com vários sacos e ainda antes de lhe dar uma moeda, ele perguntou-me se eu precisava de ajuda.
Eu agradeci-lhe e disse que não era necessário.
De vez em quando penso nele e tenho vontade de um dia o convidar para ir comigo a um café ali próximo.
Gostava muito de me sentar com ele a conversar. Gostava de conhecê-lo melhor e de saber como é a vida dele para além daquela que eu observo.
Qual será o nome dele?
Melhor seria se me sentasse no chão com ele ou se o convidasse para jantar em minha casa.
Curiosamente, o livro que acabei de ler e que adorei, “Mendigos e altivos” do Albert Cossery fala de vários mendigos, um deles bastante culto e sábio que diz que só os mendigos conseguem sentir a paz verdadeira.
Uma das pernas dele tem a grossura do meu braço. Ele puxa as calças dessa perna para as pessoas verem. E fica ali o dia todo a pedir, mas em silêncio. Se alguém lhe dá comida ou uma moeda ele agradece.
Já o vejo ali há muito tempo e desde o início comecei a nutrir uma simpatia por ele.
Ele já conhece a minha cara e também acho que gosta de mim.
A ultima vez que fui lá, saí carregada com vários sacos e ainda antes de lhe dar uma moeda, ele perguntou-me se eu precisava de ajuda.
Eu agradeci-lhe e disse que não era necessário.
De vez em quando penso nele e tenho vontade de um dia o convidar para ir comigo a um café ali próximo.
Gostava muito de me sentar com ele a conversar. Gostava de conhecê-lo melhor e de saber como é a vida dele para além daquela que eu observo.
Qual será o nome dele?
Melhor seria se me sentasse no chão com ele ou se o convidasse para jantar em minha casa.
Curiosamente, o livro que acabei de ler e que adorei, “Mendigos e altivos” do Albert Cossery fala de vários mendigos, um deles bastante culto e sábio que diz que só os mendigos conseguem sentir a paz verdadeira.
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Conclusão XIII
Os acontecimentos que mais me fizeram crescer como pessoa foram um nascimento e uma morte.
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
O primo Manuel
Era um homem muito inteligente. Foi casado com uma mulher forte e bonita. Tiveram três filhas. Perderam a do meio.
Era major, cheio de ideais. Foi professor de matemática e geografia. Foi também presidente da câmara do Entroncamento. Lutou pela liberdade e escreveu alguns livros de poesia. Eu tinha dois, mas não os encontro.
Em 1986, quando vim para Lisboa, tive o prazer de viver na casa dele e de conviver de perto com ele.
A última vez que o vi foi no meu casamento. Ele fez questão de cantar umas canções e animar a festa.
Eu acuso quem pensa sem agir.
Eu acuso quem age sem pensar.
Eu acuso quem fala sem sentir.
Eu acuso quem sente sem falar.
Acuso a posição mal definida,
o gesto mesquinho…
… e acuso-me por, nunca, em minha vida,
ter ido até ao fim do meu caminho.
E, amigos meus,
pronuncio a suprema acusação:
- Eu acuso… quem invocando Deus
ergue ao Diabo, altar, no coração.
Acuso o homem, por julgar o homem…
Juiz só Deus… entendo que é bastante.
Terminarei,
pedindo todas as sanções da lei,
para quem acusar o semelhante.
Manuel Pedroso Gonçalves, 1959
Era major, cheio de ideais. Foi professor de matemática e geografia. Foi também presidente da câmara do Entroncamento. Lutou pela liberdade e escreveu alguns livros de poesia. Eu tinha dois, mas não os encontro.
Em 1986, quando vim para Lisboa, tive o prazer de viver na casa dele e de conviver de perto com ele.
A última vez que o vi foi no meu casamento. Ele fez questão de cantar umas canções e animar a festa.
Eu acuso quem pensa sem agir.
Eu acuso quem age sem pensar.
Eu acuso quem fala sem sentir.
Eu acuso quem sente sem falar.
Acuso a posição mal definida,
o gesto mesquinho…
… e acuso-me por, nunca, em minha vida,
ter ido até ao fim do meu caminho.
E, amigos meus,
pronuncio a suprema acusação:
- Eu acuso… quem invocando Deus
ergue ao Diabo, altar, no coração.
Acuso o homem, por julgar o homem…
Juiz só Deus… entendo que é bastante.
Terminarei,
pedindo todas as sanções da lei,
para quem acusar o semelhante.
Manuel Pedroso Gonçalves, 1959
domingo, 31 de agosto de 2008
sábado, 30 de agosto de 2008
Perder e lembrar
Quando chego, na pedra de mármore, choro.
Depois páro.
Não sei se me ouves mas eu falo.
Digo-te como nós estamos. Como nos corre a vida.
Conto-te como ele cresceu e se lembra de ti.
Enquanto falo, sinto paz.
Na tua casa, o jornal ainda com o plástico por abrir, do dia anterior ao que morreste continua em cima da mesa. O papel que te escrevi da ultima vez que te visitámos também.
Na tua casa, ainda não sinto paz. Cansa-me pensar tanto. Todos os objectos pesam toneladas. Sinto-me a sufocar.
Prefiro ir para a rua e ver todos os sítios que me mostraste onde te vi a sorrir.
Depois páro.
Não sei se me ouves mas eu falo.
Digo-te como nós estamos. Como nos corre a vida.
Conto-te como ele cresceu e se lembra de ti.
Enquanto falo, sinto paz.
Na tua casa, o jornal ainda com o plástico por abrir, do dia anterior ao que morreste continua em cima da mesa. O papel que te escrevi da ultima vez que te visitámos também.
Na tua casa, ainda não sinto paz. Cansa-me pensar tanto. Todos os objectos pesam toneladas. Sinto-me a sufocar.
Prefiro ir para a rua e ver todos os sítios que me mostraste onde te vi a sorrir.
terça-feira, 26 de agosto de 2008
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Em câmara lenta como na tv
- Lembras-te daquele apartamento em que eu vivia com a Fátima nos nossos tempos de estudante?
- Oh pá, se me lembro…
- Fomos bem felizes.
- Apareciam lá pessoas de dia e de noite. Era o Bruno, o Fred, a Elsa, o Alex, o Eduardo…
- Sim, era tão natural. Entravam, sentavam-se e ficávamos ali todos, a conversar, a jogar cartas, a ouvir musica. Às vezes em silêncio, mas estávamos todos juntos.
- Sim, nesses tempos nunca senti solidão.
- Pois era. Nem havia amanhã.
- O que será feito deles?
- Oh pá, se me lembro…
- Fomos bem felizes.
- Apareciam lá pessoas de dia e de noite. Era o Bruno, o Fred, a Elsa, o Alex, o Eduardo…
- Sim, era tão natural. Entravam, sentavam-se e ficávamos ali todos, a conversar, a jogar cartas, a ouvir musica. Às vezes em silêncio, mas estávamos todos juntos.
- Sim, nesses tempos nunca senti solidão.
- Pois era. Nem havia amanhã.
- O que será feito deles?
domingo, 24 de agosto de 2008
Sensações XLV
Balla - O fim da luta
Conheço umas meninas que ficaram rendidas aos encantos dele no Maxime ...
sábado, 23 de agosto de 2008
O homem indeciso
Ele acordou indeciso. Não conseguia decidir se queria ir à praia ou à piscina.
Acabou por ficar em casa.
Continuou indeciso sem saber se havia de passar o tempo a ler um livro ou na internet.
Acabou por ver televisão.
Passou o dia com vontade de comer um gelado. Mas estava indeciso se ia a Cascais ou ao Parque das Nações.
Acabou por tirar um gelado do congelador.
Chegou a noite e foi jantar a um restaurante. Ficou indeciso entre dois pratos que gostava tanto. Ou arroz de pato ou polvo à lagareiro.
Comeu um bitoque.
Uma amiga ligou-lhe a convidá-lo para ir beber um copo. Ficou indeciso entre aceitar o convite da amiga ou ir ao cinema sozinho.
Foi para casa. Indeciso, se tinha sono ou não, acabou por adormecer no sofá.
E teve um sonho cheio de indecisões.
Acabou por ficar em casa.
Continuou indeciso sem saber se havia de passar o tempo a ler um livro ou na internet.
Acabou por ver televisão.
Passou o dia com vontade de comer um gelado. Mas estava indeciso se ia a Cascais ou ao Parque das Nações.
Acabou por tirar um gelado do congelador.
Chegou a noite e foi jantar a um restaurante. Ficou indeciso entre dois pratos que gostava tanto. Ou arroz de pato ou polvo à lagareiro.
Comeu um bitoque.
Uma amiga ligou-lhe a convidá-lo para ir beber um copo. Ficou indeciso entre aceitar o convite da amiga ou ir ao cinema sozinho.
Foi para casa. Indeciso, se tinha sono ou não, acabou por adormecer no sofá.
E teve um sonho cheio de indecisões.
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
A minha sina é fugir das ciganas
Fui várias vezes perseguida por ciganas que me querem ler a sina.
Um dia uma cigana disse-me que ia apaixonar-me por um homem que usava farda e que ia passar a minha vida a lavá-las.
Apesar de existirem máquinas de lavar… é mentira.
Um dia outra cigana disse-me que ia casar-me com um homem muito mais velho… é mentira
Um dia outra cigana disse-me que ia apaixonar-me por um homem cujo nome começava por J.
Não sei a qual deles ela se referia…
Um dia uma cigana disse-me que ia apaixonar-me por um homem que usava farda e que ia passar a minha vida a lavá-las.
Apesar de existirem máquinas de lavar… é mentira.
Um dia outra cigana disse-me que ia casar-me com um homem muito mais velho… é mentira
Um dia outra cigana disse-me que ia apaixonar-me por um homem cujo nome começava por J.
Não sei a qual deles ela se referia…
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
Sem palavras
Pé ante pé vais-te afastando, silenciosamente para eu não acordar. Eu ouço os teus passos. Achas que assim devagar, não vai doer.
Eu fico a ouvir-te sair. Fechas a porta. Não sei se vais para muito longe.
Eu fico a ouvir-te sair. Fechas a porta. Não sei se vais para muito longe.
terça-feira, 19 de agosto de 2008
Corpos e ortografia
- Não imaginas. O corpo dele é fabuloso. Ele é personal trainer. E também tem cá uns olhos verdes…
- Pois, deve ser um armário. Já sabes que não acho piada a corpos musculados. Ou seja, não gosto mesmo.
- Sim, já me esquecia. Tu és mais intelectual, não é? Só gostas de homens que escrevam bem, que leiam muitos livros e que gostem do mesmo género de música.
- Não exageres. Também sou capaz de me apaixonar só por um olhar. Mas se vier a descobrir que ele dá muitos erros ortográficos, não consigo…
- Pois, deve ser um armário. Já sabes que não acho piada a corpos musculados. Ou seja, não gosto mesmo.
- Sim, já me esquecia. Tu és mais intelectual, não é? Só gostas de homens que escrevam bem, que leiam muitos livros e que gostem do mesmo género de música.
- Não exageres. Também sou capaz de me apaixonar só por um olhar. Mas se vier a descobrir que ele dá muitos erros ortográficos, não consigo…
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
domingo, 17 de agosto de 2008
Decidida
Depois de algumas tentativas, acho que não vale a pena e fico indiferente.
Fico fria e insensível.
Desisto porque também é bom saber desistir na altura certa.
Já não há nada a fazer.
Fico fria e insensível.
Desisto porque também é bom saber desistir na altura certa.
Já não há nada a fazer.
sábado, 16 de agosto de 2008
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Porquê IX
Porque não posso tê-los aos dois?
Porque estou sempre a dizer adeus ou até já?
Porque não posso acordar e vê-los juntos?
Queria abraçá-los. Gostava que fossemos três.
Não quero escolher.
Não quero ter duas casas nem dois quartos.
Não quero entender.
Não é justo.
Porque estou sempre a dizer adeus ou até já?
Porque não posso acordar e vê-los juntos?
Queria abraçá-los. Gostava que fossemos três.
Não quero escolher.
Não quero ter duas casas nem dois quartos.
Não quero entender.
Não é justo.
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
terça-feira, 12 de agosto de 2008
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
A praga do medo
O medo anda na rua.
O medo está no olhar, na voz e no andar das pessoas.
O medo é contagioso.
Fingem que são fortes.
Fingem que são exigentes.
Fingem que sabem viver sozinhos.
Fingem que são indiferentes.
Fingem que a vida é isto.
Que medo...
O medo está no olhar, na voz e no andar das pessoas.
O medo é contagioso.
Fingem que são fortes.
Fingem que são exigentes.
Fingem que sabem viver sozinhos.
Fingem que são indiferentes.
Fingem que a vida é isto.
Que medo...
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