Naquele fim-de-semana ficou sempre em casa. Sentia-se muito cansado e farto da rotina do dia-a-dia. Durante a semana dormia umas cinco ou seis horas e quando se olhava no espelho percebia que a vida que levava e as poucas horas de sono que dormia estavam a envelhecê-lo.
Não ligou a ninguém nesses dois dias. Também ninguém o contactou. Sentia cada vez mais que na realidade não precisava de ninguém para sobreviver. Nem de família nem de amigos. Não sentia a falta de ninguém.
Passou esse fim-de-semana sem pronunciar uma palavra. Também não viu televisão nem ligou o computador.
Dormiu muitas horas, cozinhou, comeu, ouviu musica e leu muito.
Era na leitura que sentia o contacto com o mundo, com os sentimentos que já não conseguia sentir.
Conseguia descrever esses sentimentos na perfeição, analisava cada personagem e tentava sugar-lhes a alma.
Lembrava-se vagamente que há vinte anos atrás tinha sido diferente. Sim, ele já tinha sentido muitas emoções como todas aquelas que absorvia agora dos livros.
Infelizmente a sua memória era muito má e quase nada lhe restava.
No domingo à noite sentou-se na cama a ler. Apagou a luz por volta da uma hora e quarenta minutos como era hábito e acordou como sempre às sete horas e cinco minutos.
Levantou-se nove minutos depois, às sete horas e catorze minutos quando o despertador voltou a tocar.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
terça-feira, 16 de junho de 2009
Fool you are
- Sabes, afastei-me da Luísa.
- Então porquê?
- Decidi afastar-me. Agora falo pouco com ela e finjo que ela não me interessa.
Quero ver na realidade se ela gosta de mim. Esta táctica é infalível.
- Achas mesmo? Eu acho isso uma parvoíce.
- Não é nada. Tenho a certeza que se eu me afastar ela sente saudades minhas e vem atrás de mim.
- E qual está a ser a reacção dela?
- Bem, eu comecei isto há pouco tempo, mas até agora ela finge-se desinteressada.
- Queres dizer que ela também está a afastar-se.
- Sim, mas tenho a certeza que está a fingir e que não vai resistir muito tempo.
- Também existe outra hipótese e talvez muito provável. Ela pode não estar a fingir e pode não estar interessada em ti.
- Nada disso. Tenho a certeza absoluta que ela gosta de mim.
- Tu e as tuas certezas…
- Então porquê?
- Decidi afastar-me. Agora falo pouco com ela e finjo que ela não me interessa.
Quero ver na realidade se ela gosta de mim. Esta táctica é infalível.
- Achas mesmo? Eu acho isso uma parvoíce.
- Não é nada. Tenho a certeza que se eu me afastar ela sente saudades minhas e vem atrás de mim.
- E qual está a ser a reacção dela?
- Bem, eu comecei isto há pouco tempo, mas até agora ela finge-se desinteressada.
- Queres dizer que ela também está a afastar-se.
- Sim, mas tenho a certeza que está a fingir e que não vai resistir muito tempo.
- Também existe outra hipótese e talvez muito provável. Ela pode não estar a fingir e pode não estar interessada em ti.
- Nada disso. Tenho a certeza absoluta que ela gosta de mim.
- Tu e as tuas certezas…
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Pure morning
Hoje de manhã senti o cheiro da laranja esmagada que estava no chão do recreio da escola, que tinha caído da laranjeira e foi pisada pelos miúdos.
Aquele cheiro transportou-me para a minha infância e para o quintal dos meus avós.
Lembrei-me de me sentir livre a correr no carreiro cimentado ladeado por muitas flores.
Lembrei-me das borboletas e das abelhas que me picavam.
Lembrei-me do meu avô, um homem alto, entroncado e bonito a passar na sua vespa pelo mesmo carreiro e a sorrir para mim.
Lembrei-me da minha avó a tratar das galinhas e dos coelhos e do cheiro bom dos cozinhados dela que vinha da cozinha.
Lembrei-me do meu primo, quando estava com sarampo e que me deixou brincar com os brinquedos todos.
Lembrei-me do Artur que andava sempre descalço e nos fazia rir.
Lembrei-me da Celeste, muito baixinha e que ia buscar os restos de comida para os porcos.
Lembrei-me do meu tio a descascar laranjas na mesa de pedra debaixo da nespereira.
Aquele cheiro transportou-me para a minha infância e para o quintal dos meus avós.
Lembrei-me de me sentir livre a correr no carreiro cimentado ladeado por muitas flores.
Lembrei-me das borboletas e das abelhas que me picavam.
Lembrei-me do meu avô, um homem alto, entroncado e bonito a passar na sua vespa pelo mesmo carreiro e a sorrir para mim.
Lembrei-me da minha avó a tratar das galinhas e dos coelhos e do cheiro bom dos cozinhados dela que vinha da cozinha.
Lembrei-me do meu primo, quando estava com sarampo e que me deixou brincar com os brinquedos todos.
Lembrei-me do Artur que andava sempre descalço e nos fazia rir.
Lembrei-me da Celeste, muito baixinha e que ia buscar os restos de comida para os porcos.
Lembrei-me do meu tio a descascar laranjas na mesa de pedra debaixo da nespereira.
sábado, 13 de junho de 2009
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Are you ready to be heartbroken?
Durante muitos anos, fazia-me mal não entender o porquê de atitudes inesperadas e sem motivo aparente das pessoas de quem eu gostava e que pensava que conhecia.
É difícil não perceber porque mudou ou se antes já era mesmo assim.
É difícil concluir que o tempo foi desperdiçado.
É difícil explicar e olhar nos olhos.
É difícil mostrar a alma sem medo.
É difícil ouvir um silêncio sem fim.
É difícil ser-se frio.
É difícil nunca saber.
Porquê?
É difícil não perceber porque mudou ou se antes já era mesmo assim.
É difícil concluir que o tempo foi desperdiçado.
É difícil explicar e olhar nos olhos.
É difícil mostrar a alma sem medo.
É difícil ouvir um silêncio sem fim.
É difícil ser-se frio.
É difícil nunca saber.
Porquê?
quinta-feira, 11 de junho de 2009
terça-feira, 9 de junho de 2009
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Ventos animais
Impaciente
Espera
Imagino
O dia
A noite
As tuas mãos
O jantar
A mesa
O meu corpo
Tocas
O desejo
Não sentes.
Espera
Imagino
O dia
A noite
As tuas mãos
O jantar
A mesa
O meu corpo
Tocas
O desejo
Não sentes.
sábado, 6 de junho de 2009
A noite passada
Numa sala muito estranha com um tecto a brilhar e com um público diferente do que estou habituada, deixei-me levar pela beleza da música de qualidade do Rodrigo Leão e a sua banda composta por excelentes músicos.
Apresentou o seu novo album "A mãe" e misturou algumas musicas antigas,com várias participações do Cinema Ensemble, Orquestra Sinfonieta de Lisboa, o cantor argentino Melingo e Stuart Staples.
As vozes entranharam-se na música.
As minhas preferidas foram Sol, Voltar, Vida tão estranha, This lights holds so many colours, No sè nada e Cathy.
O mesmo Rodrigo Leão que eu vi a assistir ao concerto de Tindersticks no coliseu no dia 13 de Fevereiro anunciou com orgulho a presença de Stuart Staples no seu concerto. Este entrou em palco, a musica começou a tocar e a voz aveludada do Stuart misturou-se com uma melodia única e nostálgica do outro mundo.
"This light holds so many colours" com uma bonita letra de Stuart Staples foi um dos momentos altos desta noite, para mim inesquecível.
Apresentou o seu novo album "A mãe" e misturou algumas musicas antigas,com várias participações do Cinema Ensemble, Orquestra Sinfonieta de Lisboa, o cantor argentino Melingo e Stuart Staples.
As vozes entranharam-se na música.
As minhas preferidas foram Sol, Voltar, Vida tão estranha, This lights holds so many colours, No sè nada e Cathy.
O mesmo Rodrigo Leão que eu vi a assistir ao concerto de Tindersticks no coliseu no dia 13 de Fevereiro anunciou com orgulho a presença de Stuart Staples no seu concerto. Este entrou em palco, a musica começou a tocar e a voz aveludada do Stuart misturou-se com uma melodia única e nostálgica do outro mundo.
"This light holds so many colours" com uma bonita letra de Stuart Staples foi um dos momentos altos desta noite, para mim inesquecível.
sexta-feira, 5 de junho de 2009
E hoje é dia de...
Rodrigo Leão (com a bonita participação de Stuart Staples)
Infelizmente é no Casino Estoril. Espero não ficar rodeada de tias ou que pelo menos estas estejam caladinhas.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Sensações LXXXIV
Gostava mesmo de ter uma semana de férias.
Gostava de:
Levantar-me tarde todos os dias.
Ir à praia todos os dias.
Nadar todos os dias.
Comer gelados todos os dias.
Andar calmamente todos os dias.
Beijar todos os dias.
Fazer amor todos os dias.
Jantar fora todos os dias.
Dançar todos os dias.
Ver as estrelas à noite, todos os dias.
Não fazer nada todos os dias.
Gostava de:
Levantar-me tarde todos os dias.
Ir à praia todos os dias.
Nadar todos os dias.
Comer gelados todos os dias.
Andar calmamente todos os dias.
Beijar todos os dias.
Fazer amor todos os dias.
Jantar fora todos os dias.
Dançar todos os dias.
Ver as estrelas à noite, todos os dias.
Não fazer nada todos os dias.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Something new
Entrou na primeira carruagem do metro. Ficou ao pé da porta. Olhou para o lado e viu-me. Sorriu. Sorri.
Olhou para a porta. Olhou para mim novamente.
Disse-me olá e disse-me o seu nome.
E estendeu-me a mão.
O nome, o nome, sempre aquele nome – pensei.
Apertámos a mão e também lhe disse o meu nome.
Falámos naquela tão curta viagem.
Hoje estamos atrasados. Despedimo-nos.
Saí para a rua.
Gosto mesmo do cabelo dele…
Olhou para a porta. Olhou para mim novamente.
Disse-me olá e disse-me o seu nome.
E estendeu-me a mão.
O nome, o nome, sempre aquele nome – pensei.
Apertámos a mão e também lhe disse o meu nome.
Falámos naquela tão curta viagem.
Hoje estamos atrasados. Despedimo-nos.
Saí para a rua.
Gosto mesmo do cabelo dele…
terça-feira, 2 de junho de 2009
segunda-feira, 1 de junho de 2009
O livro que estou a ler muito devagar

"- Tenho de lhe explicar porque vim até aqui – disse Jaimemorto. – Andava à procura de um recanto sossegado para fazer uma experiência. Vejamos: pense cá no meco como se fosse uma capacidade vazia.
- Um tonel? – propôs Ângelo. – O senhor bebeu?
- Não – disse Jaimemorto. – Estou vazio. Só tenho gestos, reflexos, hábitos. Mas quero encher-me. É por isso que psicanaliso as pessoas. Mas o meu tonel é um tonel das Danaides. Não assimilo nada. Fico-lhes com os pensamentos, com os complexos, com as hesitações, e no fim nada me resta. Não assimilo ou assimilo bem demais… o que vai dar no mesmo. É claro que retenho algumas palavras, algumas fórmulas, alguns rótulos; conheço quais os termos que se devem empregar para as paixões, para as emoções, mas a estas não as sinto."
O Arranca Corações - Boris Vian
domingo, 31 de maio de 2009
She's gone I
Demorei anos até cá chegar. Julguei mesmo ser impossível.
Penso que finalmente consegui ser o que pretendia.
Acho que estou quase imune a tudo o que me poderia magoar.
Agora já não espero nada. Tenho quase tudo, o que realmente é muito.
O resto que me falta já não procuro e nem penso encontrar.
Pouco me surpreende quem dá e depois tira.
Não me importo com as reacções inesperadas porque de facto estou longe de todos os sentimentos que iludem.
Afasto-me da mentira e vivo com os que amo.
Penso que finalmente consegui ser o que pretendia.
Acho que estou quase imune a tudo o que me poderia magoar.
Agora já não espero nada. Tenho quase tudo, o que realmente é muito.
O resto que me falta já não procuro e nem penso encontrar.
Pouco me surpreende quem dá e depois tira.
Não me importo com as reacções inesperadas porque de facto estou longe de todos os sentimentos que iludem.
Afasto-me da mentira e vivo com os que amo.
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Fantastic day
Não sei porquê hoje de manhã acordei a pensar nesta música.
Foi uma espécie de auto-sugestão ou efeitos do calor para acreditar que hoje ia ser um bom dia.
Fantastic day - Haircut 100
Foi uma espécie de auto-sugestão ou efeitos do calor para acreditar que hoje ia ser um bom dia.
Fantastic day - Haircut 100
quarta-feira, 27 de maio de 2009
These days
Hoje percebi que não estava nada bem, quando saí do trabalho e tentei acender um cigarro com um baton da Labello.
terça-feira, 26 de maio de 2009
Trouble every day I
As pessoas vivem as suas vidas cheias de problemas. Queixam-se, pensam, ficam obcecadas, ansiosas e não decidem. Vivem angustiadas, cansadas, absortas nos seus problemas sem pensarem que alguns deles têm solução.
Sentem-se infelizes e acham que os seus problemas são maiores do que os dos outros ou então nem querem saber dos outros.
Adormecem a pensar, acordam a pensar e assim passam os dias e as noites sem nada fazer.
Sentem-se infelizes e acham que os seus problemas são maiores do que os dos outros ou então nem querem saber dos outros.
Adormecem a pensar, acordam a pensar e assim passam os dias e as noites sem nada fazer.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Sensações LXXXII
A minha rotina do final de dia é tão boa, que me ajuda a esquecer a rotina da outra metade do dia em que não sei quem sou.
Obrigada pelo teu amor, a tua voz doce e a tua mão na minha cara quando adormeces.
Obrigada pelo teu amor, a tua voz doce e a tua mão na minha cara quando adormeces.
domingo, 24 de maio de 2009
24 de Maio
Penso em ti antes de dormir, no silêncio da noite.
Penso em ti às sextas-feiras.
Penso em ti quando preciso do teu colo.
Penso em ti quando te vejo nas fotografias da nossa vida.
Penso em ti hoje.
Penso em ti quando ouço esta música.
Puppet on a string – Sandie Shaw
Penso em ti às sextas-feiras.
Penso em ti quando preciso do teu colo.
Penso em ti quando te vejo nas fotografias da nossa vida.
Penso em ti hoje.
Penso em ti quando ouço esta música.
Puppet on a string – Sandie Shaw
sexta-feira, 22 de maio de 2009
As tetas da alienação
Há dias em que me apetecia mandar tudo à merda e mudar radicalmente de vida.
Apetecia-me mostrar o dedo do meio ao penteadinho e dar-lhe um murro nos queixos quando ele me deu uma palmadinha nas costas.
Como eu gosto de despenteados e de pessoas que fumam um cigarro enquanto ficam com um ar pensativo e sonham com uma vida diferente da carneirada.
Como eu gosto dos mendigos que não têm medo...
Apetecia-me mostrar o dedo do meio ao penteadinho e dar-lhe um murro nos queixos quando ele me deu uma palmadinha nas costas.
Como eu gosto de despenteados e de pessoas que fumam um cigarro enquanto ficam com um ar pensativo e sonham com uma vida diferente da carneirada.
Como eu gosto dos mendigos que não têm medo...
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Eu tenho três amigos
terça-feira, 19 de maio de 2009
Parabéns Maninha!!!
Há alguns anos nasceu de madrugada. O telefone a tocar.
Escondida atrás de uma porta soube que era uma menina.
Uma menina que também é minha.
OqueStrada - Oxalá te veja
Escondida atrás de uma porta soube que era uma menina.
Uma menina que também é minha.
OqueStrada - Oxalá te veja
segunda-feira, 18 de maio de 2009
domingo, 17 de maio de 2009
Come feel the sun
Tenho saudades de vestir aquele vestido preto de alças com flores brancas que só visto em casa porque está rasgado e queimado pelo ferro.
Tenho saudades de dançar descalça.
Tenho saudades do cheiro a mar e sal na minha pele.
Tenho saudades de sentir o calor.
Tenho saudades de me sentir apaixonada sem saber porquê.
Tenho saudades de dançar descalça.
Tenho saudades do cheiro a mar e sal na minha pele.
Tenho saudades de sentir o calor.
Tenho saudades de me sentir apaixonada sem saber porquê.
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Shake that devil I
O que tu me dás é nada. Fico com ele. O nada tenta fazer amizade com a solidão mas ela não lhe dá muita confiança. A solidão gosta de mim.
Vivemos os três na mesma casa. O nada disse-me que é tudo o que tu tens. Disse-me também para eu esperar e ter paciência. Depois decidiu trazer outro amigo para a minha casa. O vazio.
O vazio é insuportável. Corrói e tenta destruir o meu sonho, mesmo sabendo que é um sonho impossível.
Como também sei ficar invisível, o vazio cansou-se de me procurar e saiu da minha casa.
Quando regressei a casa, decidi pôr o nada numa encomenda e devolvê-lo ao remetente.
Assim, fiquei novamente eu e a solidão.
Vivemos os três na mesma casa. O nada disse-me que é tudo o que tu tens. Disse-me também para eu esperar e ter paciência. Depois decidiu trazer outro amigo para a minha casa. O vazio.
O vazio é insuportável. Corrói e tenta destruir o meu sonho, mesmo sabendo que é um sonho impossível.
Como também sei ficar invisível, o vazio cansou-se de me procurar e saiu da minha casa.
Quando regressei a casa, decidi pôr o nada numa encomenda e devolvê-lo ao remetente.
Assim, fiquei novamente eu e a solidão.
quinta-feira, 14 de maio de 2009
E hoje é dia de...
Antony and the Johnsons - Epilepsy is dancing, Another world
Mais logo no Coliseu.
terça-feira, 12 de maio de 2009
Back to the 80's
Quando eu era jovem e andava no liceu, lembro-me que os rapazes que faziam dezoito anos, só pensavam em tirar a carta de condução rapidamente.
A maior parte deles já sabia conduzir porque alguns pais já lhes emprestavam o carro para darem umas voltas ao quarteirão.
A partir do momento em que tinham a carta de condução parecia que tinham realizado um grande feito. Era uma grande alegria e sentiam-se mais adultos.
A conduzir afirmavam-se e sentiam que tinham o poder nas mãos.
Usavam esta proeza também para conquistar as raparigas.
Com elas ao lado no carro gostavam de acelerar e que elas dissessem:
- Não faças isso. Vai mais devagar.
Quando elas saíam do carro não havia nada como um bom arranque que fizesse bastante barulho.
A maior parte deles já sabia conduzir porque alguns pais já lhes emprestavam o carro para darem umas voltas ao quarteirão.
A partir do momento em que tinham a carta de condução parecia que tinham realizado um grande feito. Era uma grande alegria e sentiam-se mais adultos.
A conduzir afirmavam-se e sentiam que tinham o poder nas mãos.
Usavam esta proeza também para conquistar as raparigas.
Com elas ao lado no carro gostavam de acelerar e que elas dissessem:
- Não faças isso. Vai mais devagar.
Quando elas saíam do carro não havia nada como um bom arranque que fizesse bastante barulho.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Quem és tu?
De tempos a tempos viajamos na mesma carruagem do metro. Sempre na primeira carruagem, entre o Marquês e Picoas.
Ele fica sempre junto à porta e é o primeiro a sair. Normalmente fico sempre ao lado dele ou atrás.
É muito diferente da maioria das pessoas que conheço. Tem um ar bastante desprendido daquilo que todas as pessoas precisam de ter para viver.
Costuma trazer numa mão uma espécie de terço mas menor e com umas contas grandes.
Não sei nada dele. Mas quase sempre os nossos olhares se cruzam.
Hoje na curta viagem de metro, olhou para trás e os olhos dele fixaram os meus. Ficámos só a olhar sem nenhuma expressão nos rostos.
Pensei que não seria a primeira a desviar o olhar. Naquele momento pensei que aquele olhar estava a demorar uma eternidade. Acho que não sentimos nada. Quando o metro parou em Picoas, ele finalmente sorriu.
Virou-se logo que a porta abriu e foi o primeiro a sair e como das outras vezes subiu as escadas a correr. Subi calmamente e quando cheguei lá acima ainda consegui ver o cabelo dele a voar.
Ele fica sempre junto à porta e é o primeiro a sair. Normalmente fico sempre ao lado dele ou atrás.
É muito diferente da maioria das pessoas que conheço. Tem um ar bastante desprendido daquilo que todas as pessoas precisam de ter para viver.
Costuma trazer numa mão uma espécie de terço mas menor e com umas contas grandes.
Não sei nada dele. Mas quase sempre os nossos olhares se cruzam.
Hoje na curta viagem de metro, olhou para trás e os olhos dele fixaram os meus. Ficámos só a olhar sem nenhuma expressão nos rostos.
Pensei que não seria a primeira a desviar o olhar. Naquele momento pensei que aquele olhar estava a demorar uma eternidade. Acho que não sentimos nada. Quando o metro parou em Picoas, ele finalmente sorriu.
Virou-se logo que a porta abriu e foi o primeiro a sair e como das outras vezes subiu as escadas a correr. Subi calmamente e quando cheguei lá acima ainda consegui ver o cabelo dele a voar.
domingo, 10 de maio de 2009
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