No momento em que a D. Olinda tinha acabado de me dar a triste notícia, abre-se a porta do prédio e entra a filha e o genro do Sr. José.
Logo a seguir abre-se a porta do rés-do-chão esquerdo e aparece a D. Vanda, a viúva do Sr. José.
A D. Olinda comenta com todos que eu ainda não sabia da morte do Sr. Simões.
Todos mostram rostos tristes e a viúva do Sr. José, toda vestida de preto diz:
- O Sr. Simões também já nos deixou.
Vejo sair uma lágrima do olho esquerdo da D. Olinda.
A porta do prédio abre-se novamente. Entra a senhora que eu não sei o nome. Ela e o marido eram o casal que eu mais admirava naquele prédio.
Ela também estava vestida de preto. Diz boa tarde e abre a caixa do correio.
A D. Olinda informa-a do tema de conversa. Ela também lamenta mas mostra um semblante duro e sem expressão.
Quando cheguei a casa, veio-me uma imagem à cabeça.
No dia um de Novembro, lembro-me de ter saído de casa e quando voltei estava uma ambulância estacionada na praceta em frente ao prédio.
Lembrei-me de ter pensado o que teria acontecido.
Agora já sei…
terça-feira, 16 de novembro de 2010
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
RIP Sr. Simões
Hoje ao fim da tarde encontrei a D.Olinda no hall do prédio. Acho que já sinto algum receio de a encontrar.
Disse-me:
- Olá menina. O Sr. Simões já foi…
- Olá D. Olinda. Não percebi.
- Disse que o Sr. Simões já foi.
- Foi onde?
- Menina, morreu. Não sabia?
-
- Já vi que não sabia. Foi já há quinze dias.
- Não sabia. Ninguém me disse. O Sr. Simões…
- Pois foi. Estão todos a morrer neste prédio. Temos de mandar benzer o prédio. E a próxima sou eu menina. Sou a mais velha.
O Sr. Simões vivia no segundo andar direito. Foi farmacêutico e já estava reformado há vários anos. Vivia sozinho. Parece que tinha uma filha advogada por quem ele sentia muito orgulho. Mas ela raramente vinha vê-lo. Ele saía todas as manhãs e tardes e dava os seus passeios ou juntava-se com dois ou três amigos no parque atrás do prédio e suponho que conversavam sobre as suas vidas e os seus passados.
Encontrava-o com frequência à porta do prédio. Estendia-nos sempre a mão e cumprimentava-nos.
Fazia uma festa no cabelo do João.
- Olá João.
- Olá.
- João, dá um passou bem ao Sr. Simões.
E a mão envelhecida apertava a mão pequenina.
Outras vezes encontrava-o de pijama e chinelos a deitar o lixo no contentor .
Já sabia que ele estava muito doente. Estava muito magro e o seu rosto estava mais triste.
Mas quase todas as manhãs, depois de tomar o pequeno-almoço e o café, enquanto fumava o meu primeiro cigarro à janela, às oito da manhã, via cair uma grande quantidade de pão ralado do segundo andar.
O Sr. Simões alimentava os pombos do bairro. E eu nem gosto de pombos mas vou sentir saudades de ver o pão a cair todas as manhãs.
Obrigada Sr. Simões, por todos os passou bens!
Disse-me:
- Olá menina. O Sr. Simões já foi…
- Olá D. Olinda. Não percebi.
- Disse que o Sr. Simões já foi.
- Foi onde?
- Menina, morreu. Não sabia?
-
- Já vi que não sabia. Foi já há quinze dias.
- Não sabia. Ninguém me disse. O Sr. Simões…
- Pois foi. Estão todos a morrer neste prédio. Temos de mandar benzer o prédio. E a próxima sou eu menina. Sou a mais velha.
O Sr. Simões vivia no segundo andar direito. Foi farmacêutico e já estava reformado há vários anos. Vivia sozinho. Parece que tinha uma filha advogada por quem ele sentia muito orgulho. Mas ela raramente vinha vê-lo. Ele saía todas as manhãs e tardes e dava os seus passeios ou juntava-se com dois ou três amigos no parque atrás do prédio e suponho que conversavam sobre as suas vidas e os seus passados.
Encontrava-o com frequência à porta do prédio. Estendia-nos sempre a mão e cumprimentava-nos.
Fazia uma festa no cabelo do João.
- Olá João.
- Olá.
- João, dá um passou bem ao Sr. Simões.
E a mão envelhecida apertava a mão pequenina.
Outras vezes encontrava-o de pijama e chinelos a deitar o lixo no contentor .
Já sabia que ele estava muito doente. Estava muito magro e o seu rosto estava mais triste.
Mas quase todas as manhãs, depois de tomar o pequeno-almoço e o café, enquanto fumava o meu primeiro cigarro à janela, às oito da manhã, via cair uma grande quantidade de pão ralado do segundo andar.
O Sr. Simões alimentava os pombos do bairro. E eu nem gosto de pombos mas vou sentir saudades de ver o pão a cair todas as manhãs.
Obrigada Sr. Simões, por todos os passou bens!
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Hands away
Ele limpa-lhe a lágrima que sai do seu olho direito.
Entra dentro dela. Diz-lhe tudo o que ela sente.
Lamenta estar fisicamente longe dela.
Castiga-a com palavras quando remexe nos seus erros.
Ela estreme-se.
Enganou-se, tanto.
A culpa é da sua busca e dos seus sonhos.
Ela ainda está a aprender a crescer.
Talvez ele tenha vivido mais que ela.
Talvez ele já tenha passado por tudo isto.
Ela acha que sabe o que quer mas depois de cair fica novamente insegura.
Ela gosta de sentir a voz dele. Firme e segura.
Precisava de a ouvir todos os dias.
Precisava de o ver todos os dias.
Precisava das mãos dele.
Para a prender todos os dias.
"Will you put my hands away?
Will you be my man?
Serve it up, don't wait
Let's see about this ham.
Oh, what happened?
Home spun desperation's knowing
Inside your cover's always blown"
Interpol - Hands away
Entra dentro dela. Diz-lhe tudo o que ela sente.
Lamenta estar fisicamente longe dela.
Castiga-a com palavras quando remexe nos seus erros.
Ela estreme-se.
Enganou-se, tanto.
A culpa é da sua busca e dos seus sonhos.
Ela ainda está a aprender a crescer.
Talvez ele tenha vivido mais que ela.
Talvez ele já tenha passado por tudo isto.
Ela acha que sabe o que quer mas depois de cair fica novamente insegura.
Ela gosta de sentir a voz dele. Firme e segura.
Precisava de a ouvir todos os dias.
Precisava de o ver todos os dias.
Precisava das mãos dele.
Para a prender todos os dias.
"Will you put my hands away?
Will you be my man?
Serve it up, don't wait
Let's see about this ham.
Oh, what happened?
Home spun desperation's knowing
Inside your cover's always blown"
Interpol - Hands away
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Velocidade escaldante
Enquanto fumava um cigarro à janela, vi-a chegar.
Já era de noite. Ela caminhava devagar e em zigue-zague.
Sim, de certeza que estava ébria.
Um homem e uma mulher passaram por ela. Voltaram-se para trás para a observarem melhor e riram-se.
Ela segurava a mala com a mão esquerda. A mala tinha umas alças compridas.
Ela deixou a mala chegar ao chão e arrastava-a à medida que andava sem rumo.
Ao fundo parou ao fundo da porta de um prédio.
Demorou algum tempo até acertar com a chave na fechadura.
Finalmente conseguiu, empurrou a porta, tirou a chave e entrou.
Já era de noite. Ela caminhava devagar e em zigue-zague.
Sim, de certeza que estava ébria.
Um homem e uma mulher passaram por ela. Voltaram-se para trás para a observarem melhor e riram-se.
Ela segurava a mala com a mão esquerda. A mala tinha umas alças compridas.
Ela deixou a mala chegar ao chão e arrastava-a à medida que andava sem rumo.
Ao fundo parou ao fundo da porta de um prédio.
Demorou algum tempo até acertar com a chave na fechadura.
Finalmente conseguiu, empurrou a porta, tirou a chave e entrou.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
domingo, 7 de novembro de 2010
Sometimes it hurts I
Não somos nada.
Somos apenas corpos insatisfeitos e almas desconhecidas.
Perco-me e perco.
Ninguém diz o que sente.
Fica sempre uma distância brutal entre nós.
Atiro-me para o abismo à espera de encontrar.
Encontro um silêncio que me esmaga.
E dói cada vez mais perceber que não posso esperar.
Quero fechar-me e desistir.
Quero dizer que acabou.
Já não sei quem sou.
E não sou de ninguém.
Somos apenas corpos insatisfeitos e almas desconhecidas.
Perco-me e perco.
Ninguém diz o que sente.
Fica sempre uma distância brutal entre nós.
Atiro-me para o abismo à espera de encontrar.
Encontro um silêncio que me esmaga.
E dói cada vez mais perceber que não posso esperar.
Quero fechar-me e desistir.
Quero dizer que acabou.
Já não sei quem sou.
E não sou de ninguém.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Undisclosed desires III
O som vindo do fundo foi abafado pela música que tocava no quarto.
Gostava de olhar para ele e ver o seu esgar de prazer.
As expressões mostravam um gozo paradisíaco e inacreditável como se fosse sempre a primeira vez que o sentia.
Ele agarrava-lhe os cabelos enquanto o corpo dela serpenteava impaciente.
Ele também fixava os olhos tristes dela que se entregavam a ele.
Neles existia um abandono que ele gostava de afugentar.
Ele já conhecia aquela insatisfação entranhada dentro dela.
Ela pensava que ninguém conseguiria matar o que sentia.
Coleccionava aqueles momentos à espera que um dia o cansaço fosse mais forte e assim a partir desse dia poderia descansar.
Gostava de olhar para ele e ver o seu esgar de prazer.
As expressões mostravam um gozo paradisíaco e inacreditável como se fosse sempre a primeira vez que o sentia.
Ele agarrava-lhe os cabelos enquanto o corpo dela serpenteava impaciente.
Ele também fixava os olhos tristes dela que se entregavam a ele.
Neles existia um abandono que ele gostava de afugentar.
Ele já conhecia aquela insatisfação entranhada dentro dela.
Ela pensava que ninguém conseguiria matar o que sentia.
Coleccionava aqueles momentos à espera que um dia o cansaço fosse mais forte e assim a partir desse dia poderia descansar.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
The kiss
- Já beijaste muitas mulheres?
- Sim, muitas.
- Porque as beijaste?
- Porque nos apeteceu. Aconteceu...
- Normalmente beijamos alguém quando estamos apaixonados ou sentimos uma atracção.
- Também já beijei porque estava ébrio e no dia seguinte pensei que sóbrio nunca beijaria aquela mulher.
- Mas no momento gostaste?
- Não sei. Não me lembro.
- E já te aconteceu, estares sóbrio e beijares alguém sem teres vontade?
- Sim. Para confortar a outra pessoa ou porque sabia que ela gostava.
- Os beijos não deviam ser banalizados.
- Lembras-te de um beijo inesquecível?
- Sim, lembro-me. E tu?
- Não.
- Lá está. Para ti os beijos são todos iguais.
- Sim, muitas.
- Porque as beijaste?
- Porque nos apeteceu. Aconteceu...
- Normalmente beijamos alguém quando estamos apaixonados ou sentimos uma atracção.
- Também já beijei porque estava ébrio e no dia seguinte pensei que sóbrio nunca beijaria aquela mulher.
- Mas no momento gostaste?
- Não sei. Não me lembro.
- E já te aconteceu, estares sóbrio e beijares alguém sem teres vontade?
- Sim. Para confortar a outra pessoa ou porque sabia que ela gostava.
- Os beijos não deviam ser banalizados.
- Lembras-te de um beijo inesquecível?
- Sim, lembro-me. E tu?
- Não.
- Lá está. Para ti os beijos são todos iguais.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Oub'lá I
Não quero. Não me apetece.
Não tenho paciência para este jogo.
Não tenho tempo. Não imaginas como ando ocupada.
Eu gosto de viver, de ver e sentir.
Não quero ser um fantasma.
Eu quero ir para a rua ou ficar no meu canto em casa.
Mas tu nunca hás-de estar ao meu lado.
O que queres dar-me não me satisfaz.
As tuas palavras são nada para mim.
Não tenho paciência para este jogo.
Não tenho tempo. Não imaginas como ando ocupada.
Eu gosto de viver, de ver e sentir.
Não quero ser um fantasma.
Eu quero ir para a rua ou ficar no meu canto em casa.
Mas tu nunca hás-de estar ao meu lado.
O que queres dar-me não me satisfaz.
As tuas palavras são nada para mim.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Are you the one that i've been waiting for? I
Se um dia eu puder amar-te, avisa-me.
Se um dia conseguires dar-me o mesmo que os meus sonhos, diz-me.
Se um dia existires, dá-me um sinal.
Se um dia olhares para mim e eu não te vir, chama-me.
Se um dia conseguires dar-me o mesmo que os meus sonhos, diz-me.
Se um dia existires, dá-me um sinal.
Se um dia olhares para mim e eu não te vir, chama-me.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
My curse
Há palavras, olhares e gestos que me fazem arrepiar.
Há músicas que não me largam.
Há letras que se entranham e fazem-me desejar.
Umas vezes fujo de sentir.
Noutras só quero ficar.
Se não consigo calar, digo.
Digo num tom de voz baixo.
Mesmo que ninguém me ouça.
Não sei porque sou assim.
Mas não consigo evitar.
Há músicas que não me largam.
Há letras que se entranham e fazem-me desejar.
Umas vezes fujo de sentir.
Noutras só quero ficar.
Se não consigo calar, digo.
Digo num tom de voz baixo.
Mesmo que ninguém me ouça.
Não sei porque sou assim.
Mas não consigo evitar.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
E hoje é dia de...
Em 1997 eles eram assim
Tindersticks - Ballad of Tindersticks
Em 2010 são assim
Tindersticks - A night in
Mais logo no Coliseu de Lisboa será?
Tindersticks - Ballad of Tindersticks
Em 2010 são assim
Tindersticks - A night in
Mais logo no Coliseu de Lisboa será?
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Where is my mind I
Todas as manhãs depois de chegar ao trabalho e ver os mails, costumo ir beber um café e fumar um cigarro no espaço de fumadores. Tiro um cigarro do maço e o isqueiro pequeno branco que está numa bolsa lateral da minha mala.
Hoje por engano, tirei um tampão em vez do isqueiro. Felizmente ainda detectei tal facto antes de sair da sala.
Hoje por engano, tirei um tampão em vez do isqueiro. Felizmente ainda detectei tal facto antes de sair da sala.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Tyed II
Parece que entrou dentro dela e ficou a conhecê-la como já há muito tempo ninguém fazia.
Encontra sempre as palavras certas para se aproximar dela.
Ela sente as mãos dele a descobrirem-lhe os seus segredos mais íntimos.
Estremece e fica sem fôlego.
Fica sempre nua em frente a ele.
Ela sente-se segura mas transparente.
Isso não a incomoda. Mas já não estava habituada.
Entrega-se.
Ele indica-lhe o caminho.
Ela segue-o.
Não sabe onde vão chegar.
Mas afinal o que é que isso interessa?
Encontra sempre as palavras certas para se aproximar dela.
Ela sente as mãos dele a descobrirem-lhe os seus segredos mais íntimos.
Estremece e fica sem fôlego.
Fica sempre nua em frente a ele.
Ela sente-se segura mas transparente.
Isso não a incomoda. Mas já não estava habituada.
Entrega-se.
Ele indica-lhe o caminho.
Ela segue-o.
Não sabe onde vão chegar.
Mas afinal o que é que isso interessa?
domingo, 24 de outubro de 2010
Aum
Tenho quarenta e dois anos. Não sei bem como o tempo me apanhou. Sei que foi muito rápido.
Sinto que tenho muito para aprender e que todos os dias da minha vida serão poucos para saber mais de mim e dos outros.
Ás vezes digo que quero ficar sozinha mas preciso de todos aqueles que fazem parte da minha vida.
Gosto quando me sugam até ao tutano.
Gosto de conhecer e receber a sabedoria dos que se atravessam no meu caminho.
Gosto de descobrir mais e mais nas vidas das pessoas que são mais novas ou mais velhas que eu e que vivem e entusiasmam-se de formas diferentes.
Não consigo contrariar o tempo. Já recebi muito ao longo destes anos. Perdi e conquistei. Muitas vezes preciso de parar para depois continuar. Por vezes quase desisto, mas sei que até agora o meu eu não conseguiu parar de sonhar.
Quero viver.
Quero sentir.
"O tempo não espera por mim!
O tempo não espera por mim!
O tempo não espera por mim!
O tempo não espera por mim!"
Sinto que tenho muito para aprender e que todos os dias da minha vida serão poucos para saber mais de mim e dos outros.
Ás vezes digo que quero ficar sozinha mas preciso de todos aqueles que fazem parte da minha vida.
Gosto quando me sugam até ao tutano.
Gosto de conhecer e receber a sabedoria dos que se atravessam no meu caminho.
Gosto de descobrir mais e mais nas vidas das pessoas que são mais novas ou mais velhas que eu e que vivem e entusiasmam-se de formas diferentes.
Não consigo contrariar o tempo. Já recebi muito ao longo destes anos. Perdi e conquistei. Muitas vezes preciso de parar para depois continuar. Por vezes quase desisto, mas sei que até agora o meu eu não conseguiu parar de sonhar.
Quero viver.
Quero sentir.
"O tempo não espera por mim!
O tempo não espera por mim!
O tempo não espera por mim!
O tempo não espera por mim!"
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Transmission I
Senta-se numa secretária lá ao fundo voltado para mim.
É bastante alto e magro. Tem caracóis no cabelo e os olhos claros.
Geralmente tem barba de uns dias.
Enquanto trabalha ouve música com os phones nos ouvidos assim como eu.
Enquanto está a pensar coloca a mão fechada em frente dos lábios e algumas vezes põe o nó dos dedos na boca ou mexe várias vezes na orelha esquerda ou coloca o dedo indicador no rosto e o polegar a apoiar o queixo.
Também se espreguiça ou entrelaça as mãos na nuca.
Quando está mais descontraído e a gostar muito da música que está a ouvir, bate as palmas das mãos sem fazer muito ruído.
Tem sempre uma expressão séria e quase nunca sorri.
Quando está mais aborrecido, tira os phones dos ouvidos, desliga o computador, levanta-se de uma forma brusca, pega no livro que traz sempre consigo e sai mais cedo por volta das dezasseis horas e trinta minutos ou às dezassete.
É bastante alto e magro. Tem caracóis no cabelo e os olhos claros.
Geralmente tem barba de uns dias.
Enquanto trabalha ouve música com os phones nos ouvidos assim como eu.
Enquanto está a pensar coloca a mão fechada em frente dos lábios e algumas vezes põe o nó dos dedos na boca ou mexe várias vezes na orelha esquerda ou coloca o dedo indicador no rosto e o polegar a apoiar o queixo.
Também se espreguiça ou entrelaça as mãos na nuca.
Quando está mais descontraído e a gostar muito da música que está a ouvir, bate as palmas das mãos sem fazer muito ruído.
Tem sempre uma expressão séria e quase nunca sorri.
Quando está mais aborrecido, tira os phones dos ouvidos, desliga o computador, levanta-se de uma forma brusca, pega no livro que traz sempre consigo e sai mais cedo por volta das dezasseis horas e trinta minutos ou às dezassete.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Just breathe
Tornas-te num caso preocupante quando vejo o aborrecimento e insatisfação estampados no teu rosto nos vários dias em que olho para ti.
Sinceramente já não sei o que te dizer. Sabes que nunca fui de dar conselhos porque cada um sabe de si.
De qualquer forma, acho que devias fazer alguma coisa por ti.
Sinto que muitas vezes te apetece fugir daqui.
Estás sempre a dizer que agora é tarde demais para mudares e depois culpas-te com algumas decisões que tomaste no passado e continuas na mesma.
Estás sempre a pensar e a pensar, na esperança de teres alguma ideia genial que mude a tua vida, mas nada.
Gostava mesmo de te ajudar mas não sei como.
Desculpa.
Sinceramente já não sei o que te dizer. Sabes que nunca fui de dar conselhos porque cada um sabe de si.
De qualquer forma, acho que devias fazer alguma coisa por ti.
Sinto que muitas vezes te apetece fugir daqui.
Estás sempre a dizer que agora é tarde demais para mudares e depois culpas-te com algumas decisões que tomaste no passado e continuas na mesma.
Estás sempre a pensar e a pensar, na esperança de teres alguma ideia genial que mude a tua vida, mas nada.
Gostava mesmo de te ajudar mas não sei como.
Desculpa.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
domingo, 17 de outubro de 2010
Time is running out I
Foi num mês de Outono de um ano qualquer em que esperou, esperou.
Era uma vez uma tarde, uma noite e uma manhã…
Estava a tremer de ansiedade.
Por fim chegou.
Numa tarde de sol com um beijo entraram no cenário que os aguardava.
Com um olhar e uma música sentiu medo.
Naquele momento era impossível fugir.
O seu querer era estar ali.
Sentiu as mãos predadoras na pele carente pelo toque.
Sentiram o sabor da longa espera.
Entregou o seu fogo e sentiu a posse no seu fundo.
A noite veio e as confissões também.
As vozes deles contaram histórias negras de dor.
Presa na imaginação dele.
Vieram sons de luxúria arrancados de dentro.
Não tinha sono.
Ouvia o respirar e tocava os lençóis silenciosos.
Numa manhã de sol lambida.
Desejou ficar.
Queria mais e mais.
Chegou a hora da partida e de não conseguir deixar.
Partiram sozinhos.
Ficou com o cansaço dorido e a alma marcada.
E descansaram os corpos saciados num silêncio cúmplice.
Era uma vez uma tarde, uma noite e uma manhã…
Estava a tremer de ansiedade.
Por fim chegou.
Numa tarde de sol com um beijo entraram no cenário que os aguardava.
Com um olhar e uma música sentiu medo.
Naquele momento era impossível fugir.
O seu querer era estar ali.
Sentiu as mãos predadoras na pele carente pelo toque.
Sentiram o sabor da longa espera.
Entregou o seu fogo e sentiu a posse no seu fundo.
A noite veio e as confissões também.
As vozes deles contaram histórias negras de dor.
Presa na imaginação dele.
Vieram sons de luxúria arrancados de dentro.
Não tinha sono.
Ouvia o respirar e tocava os lençóis silenciosos.
Numa manhã de sol lambida.
Desejou ficar.
Queria mais e mais.
Chegou a hora da partida e de não conseguir deixar.
Partiram sozinhos.
Ficou com o cansaço dorido e a alma marcada.
E descansaram os corpos saciados num silêncio cúmplice.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Bergantim
- É estranho. Há muitos anos atrás vinha aqui e era das raparigas mais novas. Agora sou a mais velha. O mais estranho ainda, foi estar sozinha nesta pista a dançar "Let’s go surfing" dos The drums e sentir-me tão bem. Mais estranho ainda, foi o DJ ter passado esta musica na noite em que eu vim cá, quando as probabilidades das pessoas que estão aqui conhecerem esta musica serem ínfimas.
- Isso não é nada estranho. Estranho mesmo é o DJ ter passado Electrelane na noite em que eu vim cá pela primeira vez.
Electrelane - Eight steps
- Isso não é nada estranho. Estranho mesmo é o DJ ter passado Electrelane na noite em que eu vim cá pela primeira vez.
Electrelane - Eight steps
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Carícias malícias I
A menina treme de medo.
Sente-se insegura e diz que não.
A mulher ri-se para ela e acalma-a.
A mulher sabe que nada de mal lhe irá acontecer.
A menina abraça a mulher que a protege.
A menina não entende como a mulher tem tantas certezas.
A mulher diz-lhe que já viveu mais e que já não sente medo.
A menina pede-lhe para não a deixar sozinha.
A mulher gosta do lado ingénuo da menina.
A mulher diz à menina que as duas nunca se vão separar.
A mulher diz-lhe que sem a menina não é nada.
A mulher diz à menina que também tem um pedido para lhe fazer.
A mulher diz:
- Nunca envelheças. Serás sempre uma menina. Aceitas?
A menina aceita e sorri.
E naquele momento em que se abraçam sentem o verdadeiro equilíbrio que as une para sempre.
Sente-se insegura e diz que não.
A mulher ri-se para ela e acalma-a.
A mulher sabe que nada de mal lhe irá acontecer.
A menina abraça a mulher que a protege.
A menina não entende como a mulher tem tantas certezas.
A mulher diz-lhe que já viveu mais e que já não sente medo.
A menina pede-lhe para não a deixar sozinha.
A mulher gosta do lado ingénuo da menina.
A mulher diz à menina que as duas nunca se vão separar.
A mulher diz-lhe que sem a menina não é nada.
A mulher diz à menina que também tem um pedido para lhe fazer.
A mulher diz:
- Nunca envelheças. Serás sempre uma menina. Aceitas?
A menina aceita e sorri.
E naquele momento em que se abraçam sentem o verdadeiro equilíbrio que as une para sempre.
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Undisclosed desires II
Apetece-me esbofetear-me.
Se pudesse ficava fechada em casa durante dois dias.
Aprisionava a minha mente.
Odeio que ela me comande e que me faça perder o controlo.
Odeio os actos impulsivos e os caminhos escuros que percorro.
Vou obrigá-la a engolir o turbilhão de sensações que me provoca.
Vou fazê-la sentir na pele a brutalidade da tentação com que me alimenta.
Já consigo vê-la a rastejar ao pé de mim a implorar-me que não a abandone.
Nesse momento ela sentirá a dor mais selvagem e eu sentirei o meu desejo saciado.
Se pudesse ficava fechada em casa durante dois dias.
Aprisionava a minha mente.
Odeio que ela me comande e que me faça perder o controlo.
Odeio os actos impulsivos e os caminhos escuros que percorro.
Vou obrigá-la a engolir o turbilhão de sensações que me provoca.
Vou fazê-la sentir na pele a brutalidade da tentação com que me alimenta.
Já consigo vê-la a rastejar ao pé de mim a implorar-me que não a abandone.
Nesse momento ela sentirá a dor mais selvagem e eu sentirei o meu desejo saciado.
terça-feira, 12 de outubro de 2010
To lose my life II
Estou cansada.
Cansada de me vender oito horas nos dias úteis.
Cansada de olhar para aquelas caras cinzentas.
Cansada de querer ser muitas noutras oito horas.
Cansada de desejar dar-me .
Cansada das minhas emoções fortes.
Quero refugiar-me com o único amor que conheço.
Quero ficar sem saber do tempo.
Quero saborear os momentos sem tempo.
E não quero ir a lado nenhum.
Cansada de me vender oito horas nos dias úteis.
Cansada de olhar para aquelas caras cinzentas.
Cansada de querer ser muitas noutras oito horas.
Cansada de desejar dar-me .
Cansada das minhas emoções fortes.
Quero refugiar-me com o único amor que conheço.
Quero ficar sem saber do tempo.
Quero saborear os momentos sem tempo.
E não quero ir a lado nenhum.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Querelle
Ele era intocável para ela.
Beijou-o sempre na face.
Já lhe fez uma festa no rosto e abraçou-o umas duas vezes.
Sentia-se contente por não haver desejo entre eles.
Ouviam-se um ao outro.
Sorriam e partilhavam gostos e entusiasmos.
Às vezes ficavam cansados.
As duas mentes não lhes davam descanso.
Ficavam em silêncio e ouviam o burburinho delas.
Escolhiam uma música para abafar o som dos pensamentos.
Mas logo a seguir vinham outros e outros.
Era bom que conseguissem parar.
Beijou-o sempre na face.
Já lhe fez uma festa no rosto e abraçou-o umas duas vezes.
Sentia-se contente por não haver desejo entre eles.
Ouviam-se um ao outro.
Sorriam e partilhavam gostos e entusiasmos.
Às vezes ficavam cansados.
As duas mentes não lhes davam descanso.
Ficavam em silêncio e ouviam o burburinho delas.
Escolhiam uma música para abafar o som dos pensamentos.
Mas logo a seguir vinham outros e outros.
Era bom que conseguissem parar.
sábado, 9 de outubro de 2010
Sensações CXLIII
John Lennon 9-10-1940 8-12-1980
Hoje faria 70 anos.
Em 1980 foi assassinado à porta de casa. No dia 10 de Abril de 1980 também perdi o meu avô materno de quem eu gostava tanto. Nesse mesmo ano no dia 18 de Maio Ian Curtis suicidou-se.
Poucos anos mais tarde ofereceram-me o single da musica “Woman” .Pela primeira vez dancei esse “slow” no meu quarto no sótão com o meu melhor amigo de infância enquanto o disco rodava no meu gira-discos.
Obrigada John!
John Lennon - Woman
Hoje faria 70 anos.
Em 1980 foi assassinado à porta de casa. No dia 10 de Abril de 1980 também perdi o meu avô materno de quem eu gostava tanto. Nesse mesmo ano no dia 18 de Maio Ian Curtis suicidou-se.
Poucos anos mais tarde ofereceram-me o single da musica “Woman” .Pela primeira vez dancei esse “slow” no meu quarto no sótão com o meu melhor amigo de infância enquanto o disco rodava no meu gira-discos.
Obrigada John!
John Lennon - Woman
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