quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Sensações CLVII

Faz hoje quatro anos que nos abraçámos pela ultima vez.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Sensações CLVI



Buzzcocks - Ever fallen in love

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Runaway

A minha má memória não me permite localizar a data de um acontecimento vivido por mim. Ainda hoje a vaguear neste blog, fui parar a Dezembro de dois mil e nove onde me deparei com um momento que já tinha esquecido e assim consegui ter a noção precisa do dia em que tal sucedeu.
Depois percebi que alguns dos momentos que vivi foram apenas momentos vividos nesse dia e talvez no dia seguinte para depois serem armazenados numa gaveta sem fundo.
A gaveta do meu esquecimento.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

She's gone II

O seu telemóvel estava calado.
Já começava a ter a certeza que ela não voltava a contactá-lo.
Tentou colocar-se na pele dela e imaginar o que ela sentia e pensava.
Mas não conseguia.
Achava que já não conseguia satisfazê-la.
Parecia que o tempo deles tinha-se esgotado muito mais rapidamente do que imaginava.
Nem sabia se tinha valido a pena.
Sinceramente nem sentia a falta dela.
Mas gostava daquele ar meigo.
Por outro lado, detestava quando os olhos dela pareciam que queriam dizer-lhe alguma coisa e ela ficava silenciosa.
Ah, sim e lembrava-se daquela parte do corpo dela que o deixava maluco.
E nem lhe tinha tirado aquela fotografia para ficar como recordação como sempre costumava fazer.
Agora iria começar tudo de novo.
Tinha de escolher melhor desta vez.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Sensações CLV

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Shine on

Despede-se sem dizer adeus.
Aos poucos afasta-se de tudo o que não faz parte do seu sonho.
Esmaga sem piedade a mentira que a perseguia.
Sente-se mais forte e segura.
Finalmente encontrou a verdade nos seus próprios olhos.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Sensações CLIV



The Veils - The letter

E hoje apetece-me correr perigos. É preciso muito cuidado a ouvir esta musica.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Dying slowly I

Tinha fingido estar ébria para conseguir que alguém olhasse para ela. Mas agora começava a sentir o efeito do whiskey que estava a beber.
Deixou-se ficar submersa na banheira cheia até não aguentar mais tempo sem respirar.
Voltou a encher o copo e bebeu mais.
As lágrimas voltaram aos seus olhos. Naquele momento percebeu que a sua vida já não fazia qualquer sentido.
Não tinha amizades. Vivia sozinha. Nem sequer se importava com a sua casa. Detestava a decoração da sua casa. Todos aqueles móveis lhe pareciam decadentes como a sua vida.
Pensou que se arrastava todos os dias para o local de trabalho onde já não sentia qualquer satisfação em executar as suas tarefas monótonas.
Pensou nas três ou quatro noites de sexo que tinha mensalmente e em que durante algumas horas tentava esquecer o vazio da sua vida para logo a seguir se afundar ainda mais.
Não percebia o que podia fazer para mudar a sua vida.
Já não acreditava em si própria nem nas pessoas que a rodeavam.
Já não acreditava no amor. Já o tinha sentido uma vez e talvez não voltasse a ter mais uma oportunidade. Já não conseguia sonhar. Estava a desistir.
Naquele momento ouviu o seu telemóvel a tocar. Quem seria? Era tão raro o seu telemóvel tocar.
Saiu da banheira, enrolou-se na toalha e abriu a mala que estava caída junto à porta da entrada. Era o António.
- Olá.
- Olá. Tinha aqui uma chamada não atendida. Ligaste-me.
- Eu? Não.
- Ligaste, sim.
- Então foi ser querer. Deve ter sido o telemóvel dentro da mala.
- Estás com uma voz estranha. Estás bem?
- Não. Estou a beber whiskey.
- Mas tu nem costumas beber. O que se passa?
- Não consigo falar.
- Eu vou ter contigo. Não me demoro.
- Deixa lá. Já é tarde.
- Eu vou. Até já.
Desligou o telemóvel e sentou-se nua no chão do corredor.
O António era o seu único amigo e preocupava-se com ela. Desde que o seu pai morreu, ela achava que ia morrer do coração como ele e tinha pânico de morrer sozinha em casa.
O António sabia disto e tinham combinado que todos os dias úteis, se ela não ligasse de manhã o msn sempre que chegasse ao trabalho como era habitual, ele contactava-a para saber porque ela não tinha ido trabalhar.
Era também na pequena janela do msn que ela confessava ao António o que sentia.
Ela e o António encontravam-se poucas vezes pessoalmente e quando o faziam ela não conseguia falar com ele sobre si própria. Estava cada vez mais fechada. Por isso preferia escrever. E ele entendia-a. Apesar de ele ser mais novo que ela, tinha sempre um conselho sensato para lhe dar. Ela admirava-o bastante.
Entretanto sentiu frio e voltou a entrar na banheira. A água ainda estava morna e começou a sentir algum sono. Os seus olhos fechavam-se e abriam-se alternadamente à espera de ouvir a campainha a tocar.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Just can't get enough I

Tenho saudades do tempo em que a minha mente era mais sossegada.
Nesse tempo conhecia poucas pessoas.
Não me importava de ficar em casa a ler ou a ver um filme.
Nessa altura não me dispersava e não sentia tanta insatisfação.
Ainda não tinha vícios e o meu corpo não era exigente.
Será que era mesmo mais simples ou é a minha má memória que já não se recorda bem?

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Sensações CLIII



Esta janela conhece os meus sonhos e pensamentos.
Desta janela vejo o mundo e aqui ninguém me vê.
Esta janela sabe os meus segredos e o que eu já senti.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Getting away with it all messed up

Desta vez podias ser tu a decidir.
Porque estou sempre a tomar decisões.
Umas certas, outras erradas.
Até parece que gosto de o fazer.
Decido sempre e não gosto de voltar atrás.
Mas sim, custa.
E estou cansada de decidir.
Custa pensar que cada sim ou não que disser agora, pode condicionar toda a minha vida.
Mas não consigo ficar num limbo.
Porque depois penso que sei aquilo que quero.
Sim, sei.
Só não sei porque às vezes deixo-me ir.
Vou embalada num sonho que acaba logo a seguir.
Acaba dentro de mim por tantas razões, que me fazem decidir e dizer não.

sábado, 4 de dezembro de 2010

E ontem foi assim..



James - Sometimes e Laid

Há noites e concertos assim. Ontem a loucura e a euforia instalou-se no Campo Pequeno. Inesquecível!
Foi sem dúvida o meu melhor concerto de 2010.
Obrigada James!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

E hoje é dia de...

Duas das minhas musicas preferidas. Em 1990:



James - God only knows

Em 2001:



James - Johnny Yen

Mais logo no Campo Pequeno.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

She's a star / Come home

Lá está ela a esconder-se de toda a gente.
Gostava que ninguém a visse.
Mas quando passa os seus olhos cruzam-se com outros.
E os olhos dela não são capazes de fingir.
Todos percebem que ela está frágil.
A qualquer momento pode partir-se.
Ela tenta construir um muro.
Um muro suficientemente alto.
Mas há sempre alguém que consegue vê-la.
E ela só pensa em voltar para casa.
Sabe que vai ter aquele abraço e o único sorriso em que pode acreditar.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Just can't get enough

Espalhou o seu sangue pela cama.
Um sangue de pecado vermelho.
Nele havia todo o seu desejo guardado.
A sua mente insatisfeita toldava-lhe as palavras.
Ignorava-a e sentia apenas o prazer com os seus cinco sentidos.
Serpenteava-se e deixava-se ir em crescente.
Culminava numa explosão seguida de um sossego indescritível.
Por momentos a sua mente deixava-a em paz e ela sossegava.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Sensações CLII

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Protect me from what i want III

Mais tarde ou mais cedo o que eu imaginei e desejei acaba por acontecer.
Às vezes fico surpreendida com o poder da minha vontade.
Fico com a certeza que sou responsável por todos os momentos que vivo.
Mesmo que percorra caminhos errados, sei que o fiz porque quis.
Mesmo sabendo que as decisões que tomo não me conduzem ao sitio onde gostaria de chegar.
O futuro é incerto mas o presente é aquele que eu decido agora.
Resta saber se quero viver o presente ou construir um futuro.
O que prefiro: Viver desalmadamente ou viver de acordo com os valores em que sempre acreditei?
O problema é que já não estamos nos anos oitenta.
Talvez eu não saiba viver em dois mil e dez, nem o que fazer com quarenta e dois anos.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Time is running out II

Talvez em breve deixe alguns dos meus vícios.
Não sei em que pessoa me tornarei.
Provavelmente serei uma pessoa melhor e mais saudável.
Provavelmente sentirei menos prazer imediato.
Talvez procure novos prazeres que façam bem à minha mente e ao meu corpo.
Talvez durma mais e sonhe muito mais.
Talvez viva mais anos.
Talvez seja mais sensata e me entusiasme menos.
Talvez passe a sentir a minha idade real.
Talvez pare e espere pacientemente.
Talvez alguém me encontre.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Is anything wrong

Há cada vez mais pessoas que vivem sozinhas.
Novos e velhos.
E a probabilidade dos novos agora que um dia chegarem a velhos, viverem sozinhos, aumenta cada vez mais.
Porque será que contrariamos a forma natural de viver acompanhado com uma pessoa cheia de defeitos como nós?
Porque preferimos ser egoístas ao ponto de escolher sempre mais e mais sem nunca encontrarmos a pessoa ideal para partilharmos os nossos dias, noites, alegrias e tristezas?
Porque achamos que sós estamos melhor?
Com tudo isto, parece-me que muitos de nós, vamos morrer sós.
E esta é sem duvida uma das mortes que mais me assusta.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Comfortably numb

Sinto-me bem.
Não me sinto mal.
Sinto-me livre e um pouco adormecida.
Sinto-me bem e sem nada para dizer ou provar.
Sinto o tempo a passar no seu ritmo natural.
Não hiberno nem me entusiasmo.
Encontro-me num estado que me agrada.
Só sei que é confortável e sabe bem nestes dias de Outono.

domingo, 21 de novembro de 2010

Sensações CLI

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Sensações CL

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Oub'lá II

Mostra-se o homem mais infeliz do mundo.
Faz aquele ar deprimido e triste.
Ah, como ele se sente tão perdido, sem saber que rumo dar à sua vida.
Uns dias, acha que gosta mais de carne. Noutros, acha que prefere peixe.
Coitado, pobre, tão sozinho.
Usa esta estratégia para atrair algumas mulheres que o acham querido e sentem pena dele.
Não sabe o que quer mas tem desculpa. Precisa de carinho. Tanto carinho.
Lá fica ele com aquele olhar distante e nunca consegue olhá-las nos olhos.
Abraça-as como se cada uma fosse a mulher da sua vida.
Por vezes, diz-lhes as palavras que elas gostam de ouvir.
E a seguir, regozija-se com as palavras que elas lhe devolvem, empoladas.
O seu ego dispara lá para o alto.
Mas continua a mostrar o seu melhor ar perdido.
Logo a seguir, fica indeciso e foge.
Elas baralhadas, esperam por uma nova prova que as faça ficar.
Algumas ao fim de algum tempo cansam-se e desistem.
Ele finge que nada quer.
Está tão triste e só.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Sensações CL



The Cure - Faith

terça-feira, 16 de novembro de 2010

The weeping song

No momento em que a D. Olinda tinha acabado de me dar a triste notícia, abre-se a porta do prédio e entra a filha e o genro do Sr. José.
Logo a seguir abre-se a porta do rés-do-chão esquerdo e aparece a D. Vanda, a viúva do Sr. José.
A D. Olinda comenta com todos que eu ainda não sabia da morte do Sr. Simões.
Todos mostram rostos tristes e a viúva do Sr. José, toda vestida de preto diz:
- O Sr. Simões também já nos deixou.
Vejo sair uma lágrima do olho esquerdo da D. Olinda.
A porta do prédio abre-se novamente. Entra a senhora que eu não sei o nome. Ela e o marido eram o casal que eu mais admirava naquele prédio.
Ela também estava vestida de preto. Diz boa tarde e abre a caixa do correio.
A D. Olinda informa-a do tema de conversa. Ela também lamenta mas mostra um semblante duro e sem expressão.
Quando cheguei a casa, veio-me uma imagem à cabeça.
No dia um de Novembro, lembro-me de ter saído de casa e quando voltei estava uma ambulância estacionada na praceta em frente ao prédio.
Lembrei-me de ter pensado o que teria acontecido.
Agora já sei…

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

RIP Sr. Simões

Hoje ao fim da tarde encontrei a D.Olinda no hall do prédio. Acho que já sinto algum receio de a encontrar.
Disse-me:
- Olá menina. O Sr. Simões já foi…
- Olá D. Olinda. Não percebi.
- Disse que o Sr. Simões já foi.
- Foi onde?
- Menina, morreu. Não sabia?
-
- Já vi que não sabia. Foi já há quinze dias.
- Não sabia. Ninguém me disse. O Sr. Simões…
- Pois foi. Estão todos a morrer neste prédio. Temos de mandar benzer o prédio. E a próxima sou eu menina. Sou a mais velha.

O Sr. Simões vivia no segundo andar direito. Foi farmacêutico e já estava reformado há vários anos. Vivia sozinho. Parece que tinha uma filha advogada por quem ele sentia muito orgulho. Mas ela raramente vinha vê-lo. Ele saía todas as manhãs e tardes e dava os seus passeios ou juntava-se com dois ou três amigos no parque atrás do prédio e suponho que conversavam sobre as suas vidas e os seus passados.
Encontrava-o com frequência à porta do prédio. Estendia-nos sempre a mão e cumprimentava-nos.
Fazia uma festa no cabelo do João.
- Olá João.
- Olá.
- João, dá um passou bem ao Sr. Simões.
E a mão envelhecida apertava a mão pequenina.
Outras vezes encontrava-o de pijama e chinelos a deitar o lixo no contentor .
Já sabia que ele estava muito doente. Estava muito magro e o seu rosto estava mais triste.
Mas quase todas as manhãs, depois de tomar o pequeno-almoço e o café, enquanto fumava o meu primeiro cigarro à janela, às oito da manhã, via cair uma grande quantidade de pão ralado do segundo andar.
O Sr. Simões alimentava os pombos do bairro. E eu nem gosto de pombos mas vou sentir saudades de ver o pão a cair todas as manhãs.
Obrigada Sr. Simões, por todos os passou bens!

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

E hoje é dia de...



Interpol - Lights

Mais logo no Campo Pequeno.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Hands away

Ele limpa-lhe a lágrima que sai do seu olho direito.
Entra dentro dela. Diz-lhe tudo o que ela sente.
Lamenta estar fisicamente longe dela.
Castiga-a com palavras quando remexe nos seus erros.
Ela estreme-se.
Enganou-se, tanto.
A culpa é da sua busca e dos seus sonhos.
Ela ainda está a aprender a crescer.
Talvez ele tenha vivido mais que ela.
Talvez ele já tenha passado por tudo isto.
Ela acha que sabe o que quer mas depois de cair fica novamente insegura.
Ela gosta de sentir a voz dele. Firme e segura.
Precisava de a ouvir todos os dias.
Precisava de o ver todos os dias.
Precisava das mãos dele.
Para a prender todos os dias.



"Will you put my hands away?
Will you be my man?
Serve it up, don't wait
Let's see about this ham.

Oh, what happened?

Home spun desperation's knowing
Inside your cover's always blown"

Interpol - Hands away

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Velocidade escaldante

Enquanto fumava um cigarro à janela, vi-a chegar.
Já era de noite. Ela caminhava devagar e em zigue-zague.
Sim, de certeza que estava ébria.
Um homem e uma mulher passaram por ela. Voltaram-se para trás para a observarem melhor e riram-se.
Ela segurava a mala com a mão esquerda. A mala tinha umas alças compridas.
Ela deixou a mala chegar ao chão e arrastava-a à medida que andava sem rumo.
Ao fundo parou ao fundo da porta de um prédio.
Demorou algum tempo até acertar com a chave na fechadura.
Finalmente conseguiu, empurrou a porta, tirou a chave e entrou.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Sensações CXLIX



António Variações - Toma o comprimido

Vou tomar o comprimido. Talvez isto passe.