domingo, 30 de maio de 2010

Dying slowly

Encontravam-se à noite em casa.
Já estavam casados há alguns anos. Tinham dois filhos, fruto de um amor que agora já não existia.
Tinham jurado no altar ficarem juntos e serem fiéis.
Ela já tinha desistido de ser feliz. Habituara-se à rotina e já nem sentia falta de carinho ou de sexo. Achava que quanto mais tempo passava sem ele menos falta sentia.
Ele ainda se sentia um jovem e já não sentia qualquer atracção por ela. Ainda tinha alguns sonhos mas pretendia cumprir o compromisso e permanecer naquele lar pago a prestações ao banco onde se vivia uma paz podre.
Não se importava com isso e passava algumas horas da noite em frente ao seu portátil a tentar encontrar e comunicar com algumas mulheres disponíveis que pudessem alimentar o seu sonho.
Ele dizia-lhes a sua verdade. No fundo pretendia conhecê-las, dizia que queria amá-las e dar umas quecas à hora de almoço ou ao fim da tarde.
Até agora não conseguiu ter sucesso nesta busca. Muitas vezes acabava as suas noites a masturbar-se ao mesmo tempo que via fotografias delas e imaginava que tocava os seus corpos jovens e belos.
Depois ia deitar-se.
A mulher ressona. Ele vira-lhe as costas e pensa no dinheiro que ambos auferem ao fim do mês, em todos os bens que adquiriram ao longo dos anos e na vida confortável que têm.
Sim, é verdade que dorme com uma estranha. Nem sabe se ela terá outro homem.
Ela também não sabe nada dele. Praticamente já não existe diálogo nenhum entre eles.
Mas isso não lhe interessa. Sabe que a sua obrigação é continuar ao lado dela.

5 comentários:

Rael disse...

É assim mesmo! Ainda recentemente, aquando da sua visita a Portugal o papa lembrou (mais uma vez) que o casamento é uma união INDISSOLÚVEL entre homem e mulher. Há muita gente que ainda não percebeu que matrimónio e casamento não são sinónimos, mas como nesta estória fictícia inspirada em muitos casos reais se menciona altar prevalecem as ordens do papa.

Anónimo disse...

e? esta é a união perfeita!

Rael disse...

E o que é que a faz perfeita?
Se te referes a ser entre homem e mulher, posso dizer que é perfeita para ti, para mim também , mas não para toda a gente. Nenhuma pessoa tem exactamente os mesmos gostos de qualquer outra, sabias?
Se a perfeição advém de ser indissolúvel, então talvez a IC reconsidere abranger mais pessoas na benção da perfeição, pois deus ama a todos de igual forma, alargando o matrimónio a pessoas do mesmo sexo, pois o casamento civil só por si não tem o selo de garantia "até que a morte nos separe" e o certificado de qualidade "aquilo que deus uniu nenhum homem separe".

Apenas mais um disse...

Parto do princípio que IC é a igreja, o nosso oráculo. 90% dos casamentos modernos é isto, quer queiramos quer não e todos já passámos por isto.

Tindergirl disse...

Não generalizes :) Mas sei que muita gente acomoda-se a viver nesta mentira...