sábado, 12 de janeiro de 2013

Chained



O coração do meu pai deixou de bater numa sexta-feira de manhã.
A partir desse dia e durante muito tempo criei uma espécie de ódio pelas sextas-feiras.
Acordava com um vazio e desejava que o dia passasse depressa.
Às sextas-feiras à noite queria ficar sempre sozinha, comigo.
Ficava sempre em casa e muitas vezes procurava ver um filme que me fizesse chorar.
E caíram muitas lágrimas de raiva, de saudade e de amor.
Agora que faltam poucos dias para completar seis anos que perdi o meu pai, já consigo que as minhas sextas-feiras oscilem entre a solidão ou uma espécie de libertação.
Às vezes às sextas-feiras acontecem-me surpresas boas. Alguém que inesperadamente se lembra de mim.
Às vezes sinto-me sozinha. Sou capaz de agir por um impulso para que uma sexta-feira seja diferente e apetece-me dar e ter pequenos e grandes prazeres.
Ou hiberno ou encontro-me-te com amor.

3 comentários:

jp disse...

Um abraço Tindergirl...

Gostei muito do "encontro-me-te"...

PS - a mim na escola ensinaram-me que as sexta-feiras eram o dia dos acontecimentos aziagos, de Jesus Cristo a Frei Luís de Sousa...

Tindergirl disse...

É verdade JP. E nesta sexta-feira sobrevivi a um diluvio :) Um abraço!

jp disse...

é preciso saber sobreviver a diluvios e no meio dos destroços:)